Operação mira organização criminosa interestadual com alvos na Bahia
Suspeitos de integrar organização criminosa interestadual têm cerca de R$ 3 milhões em bens bloqueados pela Justiça
Uma organização criminosa interestadual é alvo da Operação Fora de Rota, que nesta terça-feira (27), já cumpriu 28 mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão nos estados de Goiás, Piauí, Pará e Bahia. A investigação mira ao menos 10 suspeitos de integrar o grupo criminoso, segundo a Polícia Civil.
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As medidas judiciais foram cumpridas nas cidades de Teresina (PI), Conceição do Araguaia (PA), Canaã dos Carajás (PA), Capim Grosso, no centro-norte da Bahia, além de municípios no estado de Goiás. Até o momento, porém, a Polícia Civil não informou o número exato de pessoas presas durante a ação.

As investigações tiveram início após a apreensão de uma carga de várias toneladas de maconha, localizada em um galpão na cidade de Aparecida de Goiânia (GO), em 2024. Segundo a polícia, o entorpecente foi transportado do Paraná para Goiás e escondido em meio a uma carga lícita de sacos de farinha.
Desde então, a Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 3 milhões em bens e valores pertencentes aos investigados, como forma de descapitalizar a organização criminosa.
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Entre os alvos da operação estão o motorista e o batedor responsáveis pelo transporte da droga, integrantes da logística do esquema, os responsáveis pelo galpão onde o material foi armazenado, os distribuidores do entorpecente e o principal investigado, apontado como proprietário da carga ilícita.
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Bahia é segundo estado mais violento do Brasil
A Bahia apareceu como o segundo estado mais violento do Brasil em 2024, de acordo com dados do Anuário de Segurança Pública. De acordo com o ranking, o Amapá lidera a lista dos estados mais violentos do Brasil, com uma taxa de 45,1 mortes por 100 mil habitantes. Em seguida, aparecem a Bahia (40,6), Ceará (37,5), Pernambuco (36,2) e Alagoas (35,4).
Facções criminosas e o poder de Estado

O professor Luciano Pontes, especialista em Direito Penal e Segurança Pública, destaca que essa expansão das facções nacionais ocorre num cenário marcado pela ausência do Estado em áreas periféricas:
“Salvador apresenta bairros periféricos grandes, em relevos acidentados, com população carente em extrema pobreza. O crime organizado adentra e acaba fazendo o papel do Estado, ordenando o território e impondo suas próprias leis, contrariando o Estado democrático de direito.”
Pontes ainda menciona como os criminosos já se organizam como Estado, a exemplo do “Tribunal do Crime”, onde os próprios aliados fazem juízo de valor das ações dos integrantes.
Antes da chegada do Comando Vermelho, a facção Comando da Paz, criada em 2007 no Presídio Salvador, tornou-se, em meados de 2020, uma célula do CV, segunda maior organização criminosa do país, que surgiu na década de 1970 no Rio de Janeiro.
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