O que se sabe sobre Presidente da Câmara de Guaratinga preso na Bahia

Presidente da Câmara de Guaratinga é apontado como integrante de uma organização criminosa com atuação no Sul da Bahia

Por Anna Caroline Santiago.

O presidente da Câmara de Vereadores de Guaratinga, Paulo Chiclete (PSD), de 39 anos, foi um dos principais alvos da Operação Vento Norte, deflagrada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (7). O parlamentar é apontado pelas investigações como integrante de uma organização criminosa com atuação no Sul da Bahia.

Nas redes sociais, o vereador mantém um perfil onde se descreve como "defensor da família, do esporte e das causas sociais". Na política, ele alcançou o posto mais alto do Legislativo municipal em janeiro de 2025, eleito presidente com 7 votos a favor e 4 contra, após liderar uma chapa única lançada ainda em novembro de 2024.

Em seu perfil nas redes sociais, o político se apresenta como cristão, casado e pai de João Miguel.

O que se sabe sobre Presidente da Câmara de Guaratinga preso na Bahia.Foto: Redes sociais

 

Operação 

Além do cumprimento do mandado de prisão preventiva no âmbito da operação, Paulo Chiclete foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Ele e outras seis pessoas foram detidas sob suspeita de integrarem um esquema voltado ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa no Extremo Sul do estado.

A ofensiva policial também cumpriu oito mandados de busca e apreensão domiciliar. Durante as buscas, foram apreendidos uma pistola, aparelhos celulares e documentos que, segundo a polícia, servirão de base para o aprofundamento das investigações.

No aspecto financeiro, a Justiça da Comarca de Belmonte determinou o bloqueio de R$ 3,8 milhões em ativos financeiros. A medida atingiu 26 contas bancárias vinculadas aos investigados no processo.

O que diz a defesa

Em nota oficial, os advogados de Paulo Chiclete negaram qualquer envolvimento do parlamentar com o crime organizado e afirmaram que ele está à disposição da Justiça para esclarecimentos. A defesa também sugeriu uma possível motivação política para o momento da prisão, relacionando-a a uma disputa financeira bilionária no município.

Veja nota na íntegra:

"A recente operação que atingiu o presidente da Câmara de Vereadores de Guaratinga, Paulo Chiclete, levanta questionamentos que vão além do que foi apresentado até o momento. Em meio às investigações, a defesa do parlamentar afirma, com firmeza, que ele é inocente e está à total disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários.

O caso ocorre em um momento sensível para o município: a chegada de uma precatória milionária, com valores que ultrapassam R$ 26 milhões já nesta primeira etapa. O montante, que exige decisões importantes sobre aplicação e fiscalização, passou a ser tema central no cenário político local, e é justamente nesse contexto que surgem indagações inevitáveis: qual é o peso de uma precatória desse porte?

Antes mesmo da liberação dos recursos, Paulo Chiclete já havia se posicionado publicamente pela necessidade de que qualquer movimentação fosse acompanhada pela Câmara Municipal, reforçando o papel constitucional de fiscalização do Legislativo. Agora, com o presidente afastado de suas funções em meio a uma investigação, aliados apontam preocupação com possíveis impactos no equilíbrio das decisões que envolvem esses recursos.

A defesa do parlamentar destaca que Paulo Chiclete não possui qualquer envolvimento com atividades ilícitas e que sua trajetória pública é marcada pelo compromisso com a população de Guaratinga. Filho de uma professora conhecida na cidade e integrante de uma família de princípios cristãos, ele sempre manteve uma atuação pautada pelo respeito às instituições.

 

A defesa ressalta ainda que, até o momento, não teve acesso integral aos documentos que fundamentaram as medidas adotadas, incluindo a busca e apreensão e a detenção, o que reforça a necessidade de cautela e responsabilidade na análise do caso.

Diante do cenário, cresce o debate sobre o momento em que a operação ocorre. Sem antecipar conclusões, a defesa reforça a importância de que os fatos sejam apurados com responsabilidade, transparência e respeito ao devido processo legal, evitando julgamentos precipitados.

“Paulo Chiclete está tranquilo, confiante e à disposição da Justiça. A verdade será comprovada”, afirma a defesa.

Em meio a interesses e decisões que envolvem valores milionários, uma pergunta segue no centro da discussão em Guaratinga: qual é, afinal, o poder de uma precatória de mais de R$ 26 milhões?"

Investigação

Foto: Divulgação PC

As apurações se iniciaram na Delegacia Territorial de Belmonte. Os agentes identificaram a atuação estruturada do grupo criminoso, com indícios de envolvimento nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa, além da utilização de contas bancárias para movimentação de recursos de origem ilícita.

 O diretor da Diretoria Regional de Polícia do Interior Sul (DIRPIN/Sul),  delegado Evy Paternosto, explicou que a operação representa um avanço significativo no enfrentamento à criminalidade organizada na região. 

 “As investigações permitiram identificar o modo de atuação do grupo e alcançar alvos relevantes da estrutura criminosa. As diligências continuam para aprofundar a apuração, identificar outros envolvidos e fortalecer a responsabilização penal de todos os integrantes”, destacou.

 A Operação Vento Norte obteve a participação de cerca de 70 policiais civis da 23ª Coorpin, equipes do Gaeco, além de equipes que atuaram no cumprimento das medidas judiciais nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

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