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Entenda como o 'golpe do falso advogado' enganava vítimas com falsas indenizações na Bahia

Casal foi preso nesta quinta-feira, suspeito de articular o golpe do falso advogado

Por Anna Caroline Santiago.

Um homem de 30 anos e uma mulher de 35 foram presos nesta quinta-feira (8), em São Paulo, suspeitos de integrar um grupo criminoso investigado por aplicar o chamado “golpe do falso advogado”. Segundo as investigações, os suspeitos atuariam na Bahia e faziam parte de um esquema estruturado para enganar vítimas com informações reais de processos judiciais e induzi-las a realizar transferências bancárias.

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Entenda como o 'golpe do falso advogado' enganava vítimas com falsas indenizações na Bahia. Foto: Divulgação

A prisão ocorreu durante a operação Espectro, que investiga o núcleo criminoso responsável pela prática. Três vítimas relataram prejuízos financeiros decorrentes de contatos feitos pelos suspeitos.

De acordo com as apurações, o grupo tinha divisão de tarefas e utilizava técnicas de engenharia social para conquistar a confiança das vítimas e obter acesso a seus recursos financeiros.

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A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de até R$ 3,5 milhões em contas bancárias dos alvos da investigação e de pessoas físicas e jurídicas apontadas como intermediárias do esquema.

Modus operandi do grupo

Para dar credibilidade ao golpe, os criminosos usavam ferramentas automatizadas para obter dados reais de processos judiciais, como valores de indenizações, nomes das partes e fotos dos advogados responsáveis.

Com os dados, o primeiro contato era feito por aplicativos de mensagens. Os suspeitos se passavam pelos advogados das vítimas e informavam sobre um suposto “ganho de causa”, anunciando valores expressivos que estariam disponíveis para recebimento.

Para convencer as vítimas, os criminosos enviavam documentos falsificados com timbres do Judiciário, incluindo supostos alvarás de pagamento. A fraude avançava quando outro integrante do grupo entrava em contato, dessa vez se passando pelo magistrado responsável pelo processo.

Foto: Imagem Ilustrativa

O falso juiz fazia uma chamada de vídeo, alegando que realizaria uma audiência virtual para liberar o dinheiro, e orientava a vítima a espelhar a tela do celular. Com a tela compartilhada, os criminosos acompanhavam os aplicativos bancários em tempo real.

Em seguida, alegavam que seria necessário pagar um suposto “Imposto de Renda antecipado” ou realizar procedimentos para liberar saldos e limites de empréstimos.

As vítimas eram orientadas a desativar mecanismos de segurança bancária e a fazer sucessivas transferências via Pix. O dinheiro era enviado para contas de passagem, utilizadas por pessoas conhecidas como “laranjas”, e empresas de fachada, que ajudariam a movimentar os valores obtidos ilegalmente.

Polícia orienta como evitar o golpe

O delegado Thiago Souza orienta a população a desconfiar de contatos inesperados que anunciem a liberação de valores judiciais e a confirmar as informações diretamente com os profissionais ou escritórios de advocacia, por meio de canais oficiais.

“É importante que as pessoas aprendam a se proteger desse tipo de golpe, e isso pode ser feito desconfiando de contatos novos, confirmando as informações pelos canais oficiais e tendo em mente que juízes não fazem audiência por WhatsApp para pedir Pix. Também é importante não compartilhar ou espelhar a tela do celular”, ressalta.

Outra operação investigou esquema semelhante na Bahia

Em maio deste ano, outra operação da Polícia Civil colocou em mira um grupo suspeito de aplicar o golpe do falso advogado. Segundo as investigações, os criminosos também utilizavam informações verdadeiras de processos judiciais para se passar por advogados ou representantes de escritórios de advocacia. As vítimas eram convencidas a realizar transferências bancárias sob a justificativa de liberar valores de ações judiciais, pagar custas processuais ou desbloquear alvarás.

Foto: Divulgação | PCBA

Para aumentar a credibilidade das abordagens, os suspeitos recorriam à linguagem técnica, a documentos processuais legítimos e ao uso de nomes e fotografias verdadeiras de profissionais.

As apurações também identificaram um núcleo criminoso suspeito de furtar cartões bancários durante grandes eventos realizados nas capitais da Bahia, de Pernambuco e do Paraná. Conforme a Polícia Civil, um dos investigados trabalhava como ambulante e aproveitava pagamentos feitos em maquininhas para trocar os cartões das vítimas.

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