Rodoviários de Salvador mantêm estado de greve após reunião com empresários
Segundo o Sindicato dos Rodoviários de Salvador, os empresários adotaram uma postura considerada desrespeitosa e intransigente
Por Bruna Castelo Branco.
Os rodoviários de Salvador seguem em estado de greve após mais uma rodada de negociações sem acordo com os empresários do transporte coletivo. A primeira reunião de mediação da Campanha Salarial 2026, realizada pela Superintendência Regional do Trabalho na Bahia, terminou em clima de tensão entre trabalhadores e representantes das empresas.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, o setor patronal adotou uma postura considerada “desrespeitosa e intransigente” durante o encontro, mesmo com a presença da superintendente regional do Trabalho, Fátima Freire. De acordo com a categoria, um dos representantes das empresas afirmou que “não temos a mínima condição de aceitar nenhuma pauta dos trabalhadores neste ano”.

A declaração gerou forte reação entre os rodoviários, que acusam os empresários de tentarem provocar uma greve geral ao insistirem em propostas que, segundo o sindicato, retiram direitos históricos garantidos na Convenção Coletiva.
A categoria afirma, no entanto, que continua aberta ao diálogo. Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial acima da inflação, aumento diferenciado no ticket alimentação, revisão das cartas horárias e o fim das jornadas consideradas excessivas, especialmente aos finais de semana.

Os trabalhadores também defendem a implantação de uma jornada diária de seis horas e cobram melhorias nas condições de trabalho e nas escalas operacionais do sistema de transporte coletivo da capital baiana.
Uma nova rodada de negociações foi marcada para a próxima terça-feira (19), com expectativa de avanço nas tratativas. Veja publicação:
Estado de greve
Os rodoviários aprovaram em segundo turno o estado de greve durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na quinta-feira (14), na sede do sindicato, no bairro de Brotas. A decisão foi tomada por unanimidade.
A categoria já havia aprovado o estado de greve durante o primeiro turno da assembleia, realizado pela manhã. Com isso, os trabalhadores podem deflagrar uma paralisação a qualquer momento, caso não haja acordo nas negociações com os empresários.
Ao Aratu On, o presidente em exercício do sindicato, Fábio Primo, afirmou que a entidade deve publicar no início da próxima semana o edital de greve com antecedência mínima de 72 horas.
“Aprovamos por unanimidade também o estado de greve. A categoria oficialmente está em greve. Iremos no início da semana publicar o edital de greve e torcer para que até o dia final tenha uma proposta que a gente possa desmanchar isso”, afirmou.
Apesar do impasse, o dirigente destacou que a greve ainda não é o objetivo da categoria.
“Greve não é desejo de nenhum sindicalista, de nenhum trabalhador. A gente só sabe como começa, não sabe como termina. Entramos em uma campanha salarial buscando reajuste salarial, não uma greve”, completou.
Prefeitura quer evitar paralisação
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), afirmou que acompanha as negociações e fez um apelo para que a categoria evite paralisações, fechamento de garagens e manifestações que afetem a população.
Segundo o gestor, uma reunião realizada entre prefeitura, empresários e trabalhadores na última segunda-feira (11) ajudou a evitar a paralisação que estava prevista para ocorrer na terça-feira (12).
“Nos reunimos aqui na segunda-feira, tanto que a paralisação da terça não ocorreu”, declarou Bruno Reis.
O prefeito também disse que a gestão municipal avalia medidas técnicas para melhorar o funcionamento do sistema, incluindo a reavaliação das cartas horárias pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).

Protestos recentes
Nas últimas semanas, os rodoviários realizaram uma série de atos em Salvador para pressionar os empresários durante a campanha salarial.
Na quinta-feira (7), a categoria atrasou a saída dos ônibus das garagens nas primeiras horas da manhã, provocando transtornos para passageiros que seguiam para o trabalho e escolas.
Os trabalhadores também promoveram a chamada “Operação Tartaruga”, quando os ônibus circularam em velocidade reduzida e apenas pela faixa da direita em diversas avenidas da cidade.
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