Greve de ônibus em Salvador é aprovada em segunda assembleia; veja previsão

A aprovação ocorreu durante Assembleia Geral Extraordinária, realizada na tarde desta quinta-feira (14)

Por Victor Souza.

Os Rodoviários de Salvador aprovaram em segundo turno o estado de greve no transporte público da capital baiana. A aprovação, em unanimidade, ocorreu durante Assembleia Geral Extraordinária, realizada na tarde desta quinta-feira (14), na sede do Sindicato dos Rodoviários, no bairro de Brotas. 

Sindicato dos Rodoviários da Bahia declaram estado de greve. Foto: Divulgação/Sindicato dos Rodoviários da Bahia

A categoria já tinha aprovado o ato no primeiro turno da reunião, ocorrida na manhã desta quinta. A mobilização integra o processo de negociação da campanha salarial da categoria, que segue buscando avanços nas tratativas 

Com isso, o grupo pode iniciar o movimento de greve na próxima semana na cidade, caso não chegue a um consenso com os empresários do setor. Um encontro para a próxima sexta-feira (15), está previsto entre patrões e trabalhadores do segmento, com o intuito de tratar a Campanha Salarial 2026.  

A reunião vai ocorrer na próxima sexta-feira (15), com mediação da Superintendência Regional do Trabalho. No entanto, a ação não vai impactar na operação dos coletivos, não havendo paralisação e manifestação. 

Agora, o grupo pode deflagrar e iniciar a greve a qualquer momento. Ao Aratu ON, o presidente em exercício do sindicato, Fábio Primo, apontou que será publicado um edital de greve com 72 horas de antecedência no início da próxima semana (possivelmente segunda-feira).

A greve só será evitada se houver uma proposta aceitável na reunião com os empresários amanhã e nas próximas negociações. 

“Aprovamos por unanimidade também, o estado de greve. A categoria oficialmente está em greve. Iremos no início da semana que vem publicar o edital de greve, o edital de 72 horas que antecede a greve e torcer para que até o dia final tenha uma proposta que a gente possa desmanchar isso”, explicou. 

Caso não haja nenhum consenso entre as partes, a cidade de Salvador pode ficar sem ônibus, conforme o dirigente. 

“Ainda tem muita água para rolar embaixo da ponte ainda. Não estou falando em greve, estou na mesa de negociação e greve não é desejo de nenhum sindicalista, de nenhum trabalhador. Greve a gente só sabe como começa, não sabe como termina. Entramos em uma campanha salarial buscando ter reajuste salarial, não uma greve”, completou. 

O que pede a categoria 

Entre as principais reivindicações, os trabalhadores cobram reajuste salarial e aumento do ticket alimentação em 5% acima da inflação. A categoria também defende a implantação de uma jornada de seis horas diárias, além do fim de cargas horárias consideradas excessivas, especialmente aos finais de semana.

Os rodoviários ainda reivindicam a correção imediata das escalas de trabalho e melhores condições para os profissionais que atuam no sistema de transporte coletivo. Segundo a categoria, as mudanças são necessárias para garantir condições mais adequadas de trabalho e equilíbrio na rotina dos trabalhadores.

  • Aumento diferenciado no ticket alimentação;

  • Revisão das cartas horárias e o fim das jornadas excessivas, especialmente aos finais de semana.

De acordo com os representantes dos trabalhadores, a gestão municipal mostrou abertura para avaliar demandas técnicas que afetam o cotidiano da operação.

O prefeito estabeleceu três frentes de análise imediata. Entre eles, está a reavaliação das cartas horárias pela Secretaria de Mobilidade (Semob), com o objetivo de melhorar a organização das escalas de trabalho.

Pedido do prefeito 

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou nesta quarta-feira (13) que seguem intensas as negociações entre empresários do transporte coletivo e os rodoviários de Salvador para evitar que a categoria entre em estado de greve. A declaração foi feita durante a apresentação do projeto da nova Arena Barradão, no Palácio Thomé de Souza.

Segundo o prefeito, uma reunião realizada na última segunda-feira (11) ajudou a destravar o impasse entre os trabalhadores e as empresas de transporte público, evitando a paralisação prevista para terça-feira (12). “Nos reunimos aqui na segunda-feira, tanto que a paralisação da terça não ocorreu”, declarou Bruno Reis.

Durante o pronunciamento, o prefeito fez um apelo aos rodoviários para que evitem paralisações, greves e fechamento de garagens, a fim de não comprometer a rotina da população que depende do transporte público diariamente.

“Eu fiz um apelo aos rodoviários para que entendessem a dificuldade que as empresas enfrentam atualmente”, afirmou.

Bruno Reis também destacou que vem mantendo diálogo com os empresários do setor em busca de melhorias para o sistema de transporte da capital, reforçando a atuação da prefeitura como mediadora nas negociações entre as duas partes.

Atos e protestos 

Na semana retrasada, a categoria realizou uma série de mobilizações em Salvador. Na quinta-feira (7), os rodoviários atrasaram a saída dos ônibus das garagens nas primeiras horas da manhã, causando transtornos para passageiros que seguiam para o trabalho e instituições de ensino.

O grupo ainda realizou a Operação Tartaruga, onde os coletivos transitaram somente na faixa da direita das pistas de Salvador em velocidade reduzida. 

Ônibus (4)

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