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Tráfico de pessoas: 9 baianos estão entre 23 brasileiros vítimas de exploração no exterior

Vinte e três brasileiros foram localizados em Madagascar após serem levados ao Camboja com falsas promessas de emprego; 9 baianos estão no grupo

Por Dinaldo dos Santos.

Familiares de dois baianos procuraram a redação do Grupo Aratu para denunciar uma situação de tráfico de pessoas envolvendo jovens brasileiros que foram levados ao exterior sob a promessa de emprego e, segundo os relatos, acabaram submetidos a condições de exploração. Ao todo, 23 brasileiros foram localizados em Madagascar, na África, sendo nove baianos. 

Baianos são vítimas de tráfico de pessoas. Foto: Acervo Pessoal

Segundo informações repassadas pelas famílias, os jovens viajaram em janeiro acreditando que trabalhariam em um restaurante. Depois de chegar ao exterior, porém, teriam sido levados para o Camboja, no Sudeste Asiático, e obrigados a aplicar golpes pela internet contra vítimas de diferentes países.

O caso também é investigado pela Polícia Civil. Na terça-feira (25), um homem apontado como integrante de uma quadrilha responsável pelo recrutamento de brasileiros foi preso em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Sandro Serra Araújo, de 39 anos, estava foragido e é suspeito de atuar na captação de vítimas no estado.

Suspeito de chefiar quadrilha que traficava brasileiros é preso no Rio. Foto: Reprodução |TV Globo

Tráfico de pessoas envolveu falsas promessas de emprego

De acordo com os familiares ouvidos pela reportagem, a proposta apresentada aos jovens prometia trabalho regular e salário em dólar. A expectativa era conseguir uma oportunidade no exterior, ajudar os parentes e melhorar de vida.

A realidade, entretanto, teria sido outra. Os jovens seriam obrigados a trabalhar para uma organização criminosa e submetidos a ameaças e pressão psicológica. Os celulares eram revistados e o contato com as famílias, controlado.

Ainda segundo os relatos, os criminosos também ameaçavam parentes que permaneciam no Brasil caso os jovens não obedecessem às ordens. Em algumas situações, os responsáveis pela exploração entregavam dinheiro às vítimas para que elas enviassem aos familiares, numa tentativa de fazer parecer que o trabalho no exterior transcorria normalmente.

Uma das mães contou que começou a desconfiar da situação depois que o filho demorou a fazer contato. As justificativas apresentadas pelos criminosos, no entanto, inicialmente fizeram com que a família acreditasse que não havia problemas.

Os jovens teriam passado fome e recebido ameaças de sofrer choques, espancamentos e agressões verbais. Segundo os familiares, quando a organização percebia o risco de ser descoberta, o grupo era transferido rapidamente para outro endereço, muitas vezes sem tempo para recolher os próprios pertences.

Jovens fugiram e chegaram a dormir em aeroporto

Depois de meses nessa situação, parte dos brasileiros teria sido levada para Madagascar. Foi no país africano que alguns conseguiram fugir.

Sem dinheiro e, segundo os familiares, sem os passaportes, alguns dos jovens chegaram a passar dias dormindo no aeroporto até receberem auxílio de uma organização não governamental.

Agora, o grupo depende de ajuda para conseguir retornar ao Brasil. As famílias afirmam que os jovens não têm recursos para comprar as passagens e também precisam de dinheiro para alimentação enquanto permanecem em Madagascar.

Entre as vítimas está um baiano e a noiva dele. Segundo a família, os dois aceitaram a proposta acreditando que encontrariam uma oportunidade de trabalho no exterior.

“Meu filho é um jovem trabalhador e a noiva dele é uma jovem inteligente, que cursava faculdade. Eles foram atraídos por uma proposta de emprego no exterior para nos dar uma melhor condição de vida. Nossos filhos acabaram sendo enganados, escravizados e forçados a trabalhar aplicando golpes.”

A mãe também fez um apelo para que as autoridades ajudem no retorno dos brasileiros. “São vários jovens. Todos eles só querem voltar para o Brasil. Aqui é o apelo de uma mãe que não está dormindo, não está comendo e só quer o filho de volta.”

Veja vídeo feito por baiano

 

 

 

Famílias fazem campanha para trazer vítimas de volta

Uma campanha de arrecadação foi criada pelas mães para ajudar a pagar as passagens de retorno e garantir alimentação aos jovens durante a permanência em Madagascar.

“Eu peço ajuda aos governadores, aos políticos e a todos que puderem nos ajudar. Não só a mim, mas a todas as mães que estão com os corações dilacerados. Ajudem nossos filhos a voltar.”

O caso é acompanhado, na Bahia, pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. A situação é monitorada pela pasta, pelo Ministério das Relações Exteriores e por organizações internacionais de ajuda humanitária, que adotam medidas para garantir o retorno dos brasileiros.

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