Trabalhador morto em desabamento na Bahia falava sobre sonho de comprar casa em áudio antes da tragédia
Ullisses Rodrigues Barbosa, de 26 anos, foi uma das quatro vítimas do acidente em um galpão em construção de Luís Eduardo Magalhães
Por Victor Hernandes.
Um áudio de Ullisses Rodrigues Barbosa, de 26 anos, um dos quatro trabalhadores que morreram no desabamento de um galpão em construção em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, passou a circular nas redes sociais na noite desta sexta-feira (11). Na gravação, o trabalhador fala sobre os planos de juntar dinheiro e comprar a própria casa.

O desabamento aconteceu na manhã de quinta-feira (10), nas instalações da empresa Galvani, no bairro Jardim das Acácias. Quatro trabalhadores morreram após a estrutura cair sobre eles. No áudio, Ullisses relata a intenção de continuar trabalhando, guardar parte do dinheiro que recebesse e alcançar estabilidade financeira para comprar uma casa.
“Vou batalhar aqui e ver se eu começo a juntar a partir de agora o dinheiro, sabe? A partir do próximo mês, ver se eu começo a juntar mesmo, separar o dinheiro e guardar na conta aí para comprar uma casa”, afirmou o trabalhador.
A gravação passou a ser compartilhada entre moradores de Luís Eduardo Magalhães e ganhou repercussão nas redes sociais pela relação entre os planos de futuro relatados por Ullisses e a tragédia que ocorreu posteriormente.
Veja o áudio:
Quem são os trabalhadores mortos em desabamento
Além de Ullisses Rodrigues Barbosa, a Polícia Civil identificou as outras três vítimas fatais do desabamento. São elas José Carlos Marcelino da Silva, de 25 anos; Sergio Silva dos Santos, de 30; e Jackson dos Santos Silva, de 33 anos. Segundo a Delegacia Territorial de Luís Eduardo Magalhães, os trabalhadores morreram após a estrutura cair sobre as vítimas. O caso foi registrado como acidente de trabalho.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA), Polícia Militar, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Defesa Civil foram mobilizadas para atender à ocorrência. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o desabamento foi registrado por volta das 10h30. Na chegada das equipes, três vítimas estavam nos escombros, sendo que uma delas estava presa à estrutura. Os óbitos foram constatados por um médico do Samu.
Uma quarta vítima fatal também estava presa pelo tornozelo na estrutura e foi retirada pelos bombeiros. As demais pessoas que estavam fora da estrutura não precisaram de intervenção de resgate.
Após o trabalho das equipes de emergência, os corpos ficaram sob responsabilidade do Departamento de Polícia Técnica (DPT). A Polícia Civil informou que foram expedidas guias para perícia e remoção. As causas e as circunstâncias do desabamento ainda deverão ser apuradas pelos órgãos competentes.
Sobreviventes passam por atendimento
Além das quatro mortes, dois trabalhadores ficaram feridos no desabamento e foram encaminhados para atendimento médico. Um deles, que não teve o nome divulgado, sofreu uma fratura na perna, passou por cirurgia na tarde desta sexta-feira (11) e permanece internado em uma clínica da rede particular de Luís Eduardo Magalhães.
O segundo trabalhador ferido recebeu alta médica nesta sexta-feira, após permanecer internado para tratamento dos ferimentos provocados pelo acidente.
Ministério Público do Trabalho acompanha o caso
O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que já acompanha o caso do desabamento do galpão em construção na empresa Galvani, em Luís Eduardo Magalhães. Segundo o órgão, o MPT tomou conhecimento da ocorrência e realiza uma análise preliminar para verificar se existem elementos que justifiquem a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias do caso. Após essa avaliação, o órgão poderá decidir pela instauração de um procedimento investigativo.

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