Terreiro de Umbanda é invadido e vandalizado pela oitava vez em seis meses na Bahia
O Terreiro de Umbanda São Jorge Guerreiro, em Guanambi, foi invadido e vandalizado na madrugada de domingo (3)
Por Bruna Castelo Branco.
O Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro, localizado em Guanambi, no sudoeste da Bahia, foi invadido e vandalizado na madrugada de domingo (3). Segundo a direção do espaço religioso, este foi o oitavo ataque registrado no local em cerca de seis meses.
O terreiro funciona há quase 80 anos na cidade. De acordo com o vice-presidente da instituição, Joel das Neves da Silva, os episódios de violência começaram há cerca de um ano. Em um dos ataques anteriores, símbolos nazistas chegaram a ser pichados na entrada do centro.

A invasão mais recente foi registrada por câmeras de segurança instaladas no imóvel. As imagens mostram que o mesmo homem entrou no local em dois momentos: por volta das 20h de sábado (2) e novamente às 4h da madrugada de domingo.
Segundo a direção do centro, o suspeito quebrou uma janela de vidro para acessar o imóvel. Durante a ação, foram furtados o motor de uma geladeira, um caldeirão de alumínio, baldes, produtos de limpeza e artigos religiosos.
O homem também tentou levar um bebedouro, mas não conseguiu retirar o equipamento pela janela. Além disso, pratos de barro e outros itens considerados sagrados foram quebrados e danificados.

Por causa dos estragos, a direção informou que o centro ficará fechado por tempo indeterminado até que os objetos destruídos sejam restaurados.
A polícia informou que o suspeito foi localizado e conduzido para a delegacia da cidade. No entanto, não foi divulgado se ele permanece preso ou se responderá ao caso em liberdade.
Caso em Salvador
Um centro de candomblé localizado no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador, denunciou um caso de racismos e intolerância religiosa após ter o muro de entrada pichado em janeiro deste ano. O caso é investigado pela Polícia Civil.
De acordo com o Terreiro Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza, as paredes do espaço sagrado foram pichadas com as palavras “Assassinos” e “Jesus”. Em nota, a instituição classificou o ato como racismo religioso e afirmou que a ação representa um ataque à liberdade de crença e ao direito constitucional ao livre exercício religioso.
“Trata-se de um crime motivado por ódio religioso, que reforça estigmas, incita a violência simbólica e perpetua o racismo estrutural historicamente imposto aos nossos povos”, informou.
A comunidade religiosa cobrou a identificação e punição dos responsáveis, além de medidas para garantir a segurança do local. “Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por justiça!”, finalizou.
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