Quem era Ana Luiza Mateus, modelo baiana morta após cair do 13º andar no Rio
A psicóloga, modelo e maquiadora profissional Ana Luiza Mateus, de 29 anos, morreu após cair do 13º andar de um prédio no RJ
Por Bruna Castelo Branco.
A psicóloga, modelo e maquiadora profissional baiana Ana Luiza Mateus, de 29 anos, morreu nesta quarta-feira (22) após cair do 13º andar de um prédio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O namorado da vítima, Tarso Ferreira, foi preso em flagrante, suspeito de feminicídio.

Segundo o delegado Renato Martins, o suspeito se declarou “culpado”. De acordo com relatos de vizinhos à Polícia Militar, o casal teria passado a noite e a madrugada discutindo. Ana Luiza foi encontrada já sem vida por volta das 5h30.
Natural de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, Ana Luiza construiu trajetória como modelo e influenciadora digital, com atuação também em concursos de beleza. Ela iniciou a carreira ainda na cidade natal, onde ganhou visibilidade nas redes sociais.

Há pouco mais de um ano, mudou-se para o Rio de Janeiro com o objetivo de investir na carreira de modelo. Ao g1 RJ, um amigo da vítima, João da Cruz Neto, esse era um de seus principais objetivos profissionais. Na capital fluminense, chegou a desfilar no São Paulo Fashion Week e trabalhava em uma agência de modelos. A jovem dividia apartamento com uma amiga.
Recentemente, participou como figurante no último capítulo da novela Vale Tudo, exibida pela TV Globo, o que representou um avanço em sua trajetória artística.

Estudos
Formada em Psicologia, Ana Luiza também cursava Nutrição e demonstrava interesse por diferentes áreas do conhecimento. Em nota, o Conselho Regional de Psicologia da Bahia manifestou pesar: “Neste momento de dor, o CRP-03 se solidariza com familiares, amigos, colegas de profissão e todas as pessoas impactadas por esta lamentável e precoce perda, expressando sinceras condolências”.
Dias antes da morte, Ana Luiza relatou a uma amiga aspectos do relacionamento que mantinha havia cerca de três meses. Segundo o relato, ela afirmou que se sentia presa em uma “gaiola de ouro”.

A organização do Miss Cosmo Brasil também divulgou nota lamentando a morte da candidata. “Ana Luiza era uma jovem em ascensão que construía com esforço e talento sua trajetória no universo Miss. Recebemos a notícia com tristeza e consternação. Nos solidarizamos com seus familiares e amigos. Diante das informações sobre o ocorrido, o caso convoca a uma reflexão urgente sobre a violência contra a mulher no Brasil. O feminicídio não pode ser tratado como estatística ou rotina. É uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade, compromisso e ação coletiva”.
A morte da jovem é investigada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Namorado de Ana Luiza é preso
Ao g1 RJ, vizinhos contaram que o casal foi visto chegando ao condomínio Alfapark discutindo. Após a briga, o suspeito deixou o local sozinho. Funcionários do prédio teriam orientado Ana Luiza a sair caso o companheiro retornasse. A vítima afirmou que havia comprado uma passagem de volta para a Bahia, com embarque previsto para a madrugada, mas decidiu permanecer no imóvel, de onde caiu por volta das 5h30.
Segundo o delegado Renato Martins, relatos de diferentes moradores indicam que o relacionamento era marcado por conflitos. “Havia entre eles uma relação muito abusiva, e uma discussão acalorada há alguns dias e nesta madrugada especialmente houve uma espécie de guerra entre eles que foi muito ouvida por vizinhos, pelos funcionários do condomínio".

O delegado acrescentou que há mensagens que reforçam a suspeita de crime. “Além disso, nós temos também mensagens trocadas entre a vítima e parentes, entre a vítima e amigos, entre a vítima e o próprio autor do fato. Então, todos esses elementos convergem num único indiciamento de que o autor é partícipe dessa ação criminosa, desse feminicídio praticado contra essa jovem”.
Ainda segundo a investigação, o suspeito teria alterado a cena do crime e tentado deixar o local pelos fundos. “Primeiro, ele mexeu, ele moveu a cena do crime. Segundo relatos, ele tenta sair pela porta dos fundos do condomínio e aparece de repente chorando muito, só que mexendo no corpo e isso não pode ser feito. Isso é uma violação da prova processual”.
O delegado afirmou também que o suspeito confirmou à polícia o histórico de brigas e demonstrou ciúmes da vítima. “Ele tinha um ciúme doentia dela, seja pela beleza dela, pelas boas relações que ela tinha, amizades e tal. E, por conta disso, ele acaba dizendo que é culpado”.

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