PM aposenta com salário integral tenente-coronel acusado de matar esposa
PM garante que a concessão da aposentadoria não isenta o tenente-coronel das investigações
A Polícia Militar do Estado de São Paulo concedeu aposentadoria com vencimentos integrais ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de assassinar a própria esposa, a PM Gisele Alves Santana. O pedido de transferência para a reserva partiu do próprio oficial.
De acordo com dados do Portal da Transparência do Governo de São Paulo, no mês de fevereiro de 2026 — período que antecedeu a sua prisão —, o salário bruto do tenente-coronel era de R$ 28,9 mil. Ele continuará recebendo o valor integral mesmo detido.

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A portaria que oficializou o ato foi assinada pela Diretoria de Pessoal da PM. O documento justifica que, segundo a legislação vigente, o oficial preenche os requisitos para a concessão do benefício por critérios proporcionais de idade.
A Polícia Militar esclareceu que a concessão da aposentadoria não isenta o tenente-coronel das investigações administrativas e criminais. Ele segue como alvo de um processo de expulsão conduzido pela Corregedoria da instituição.
Relembre o caso

O tenente-coronel figura como principal suspeito pela morte da esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana. O caso ocorreu no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, região central da capital paulista.
Geraldo Neto negou as acusações e sustenta que a esposa tirou a própria vida com um disparo na cabeça. No entanto, a investigação policial aponta inconsistências na versão apresentada. A abertura do processo foi confirmada pelo secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, e pelo secretário-executivo da pasta, Henguel Ricardo Pereira.
Possível alteração da cena do crime é investigada
Laudos periciais indicam que Gisele sofreu traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo. Além disso, foram identificados hematomas no pescoço, o que levanta a suspeita de esganadura antes do tiro.
Imagens de câmeras de segurança do prédio também passaram a integrar a investigação. Os registros mostram um grupo de mulheres deixando o andar do apartamento após o ocorrido, o que levanta a possibilidade de alteração da cena do crime. As mulheres, que seriam policiais militares, foram chamadas para prestar esclarecimentos.
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Outro aspecto analisado pela polícia é a conduta do tenente-coronel após o ocorrido. De acordo com depoimentos, ele teria tomado um segundo banho enquanto a esposa recebia atendimento, mesmo após ser alertado de que a atitude não era recomendada.

Também consta no inquérito que o oficial entrou em contato com um amigo, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, que teria comparecido ao local e acompanhado os primeiros procedimentos. A identidade do magistrado não foi divulgada.
Exames da Polícia Científica indicaram ainda que o casal manteve relação sexual pouco antes da morte da vítima, o que também passou a integrar a linha de investigação.
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