Orelha: adolescentes voltam dos EUA e têm celulares apreendidos; o que se sabe até agora?
Adolescentes suspeitos de agredirem o cão Orelha estavam na Disney, nos EUA, e tiveram os celulares apreendidos no retorno ao Brasil, nesta quinta-feira (29)
Por Juana Castro.
Dois dos quatro adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha desembarcaram na tarde desta quinta-feira (29) em Santa Catarina, após uma viagem aos Estados Unidos. Na chegada, eles foram intimados pela Polícia Civil e tiveram os celulares apreendidos. Os aparelhos serão periciados e podem contribuir para esclarecer a dinâmica das agressões e a eventual participação de outras pessoas no caso que chocou e revoltou o país.

Logo após o ataque que resultou na morte do animal, os adolescentes viajaram para Orlando, onde passaram alguns dias. A Polícia Civil de Santa Catarina acompanha o caso desde meados de janeiro e segue reunindo provas e depoimentos.
Veja o que se sabe até agora sobre a morte do cão Orelha em Santa Catarina:
O que aconteceu com o cachorro Orelha?
Orelha era um cão comunitário da região da Praia Brava, em Florianópolis, onde vivia há cerca de dez anos. No dia 4 de janeiro, ele foi brutalmente agredido por um grupo de adolescentes. O animal foi socorrido e levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser submetido à eutanásia no dia seguinte.
Quem são os suspeitos?
Quatro adolescentes são investigados pelas agressões. As identidades não são divulgadas em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Por que os celulares foram apreendidos?
Os celulares de dois adolescentes foram apreendidos no retorno deles ao Brasil. O material será analisado pela Polícia Civil para auxiliar na reconstrução dos fatos e verificar a existência de registros, conversas ou imagens relacionadas ao crime.
Há outros crimes sendo investigados?
A Polícia Civil também apura se o mesmo grupo esteve envolvido em uma tentativa de agressão contra outro cachorro, conhecido como Caramelo, que teria sido atacado e quase afogado no mar na mesma região. O animal conseguiu escapar.
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Existem adultos investigados no caso?
Sim. Três adultos, familiares dos suspeitos, foram indiciados pela Polícia Civil por suspeita de coagir testemunhas e tentar atrapalhar as investigações. Segundo a polícia, entre os familiares ligados aos adolescentes estão dois empresários e um advogado.
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Alguém foi preso?
Até o momento, não há pessoas presas em decorrência do caso.
O que a Justiça determinou sobre a exposição dos adolescentes?
A Vara da Infância e Juventude de Florianópolis determinou que redes sociais e aplicativos removam conteúdos que identifiquem os adolescentes suspeitos. A decisão vale para plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.
Adolescentes podem ser responsabilizados?
Sim. Embora sejam inimputáveis penalmente, adolescentes podem responder por atos infracionais e sofrer a aplicação de medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O que é um cão comunitário?
Cão comunitário é aquele que não possui tutor único, mas vive em uma comunidade e recebe cuidados coletivos de moradores ou comerciantes. Após a repercussão do caso Orelha, Santa Catarina aprovou a Lei nº 19.726, que institui à Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e do Gato Comunitário.

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