Operação investiga tortura contra mulheres em instituição de acolhimento na Bahia
Operação em instituição de acolhimento na Bahia apura também suspeitas de peculato, estelionato e lavagem de dinheiro
Por Da redação.
A Operação Elas por Elas, deflagrada pela Polícia Civil, investiga tortura contra mulheres em instituição de acolhimento no município de Jequié, na Bahia, e cumpre mandados de prisão temporária e de busca e apreensão nesta segunda-feira (23).

De acordo com as investigações, há indícios de que uma pessoa ligada a uma associação voltada à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica teria cometido agressões físicas e psicológicas contra acolhidas da entidade. Um vídeo analisado pela polícia mostraria essas práticas, incluindo episódios envolvendo uma adolescente de 17 anos.
Além das suspeitas de violência, a apuração também identificou possíveis irregularidades financeiras, como desvio de recursos públicos e movimentações consideradas atípicas.
Outro ponto investigado é a instalação de câmeras de monitoramento em ambientes privados da instituição, o que pode configurar violação à intimidade das mulheres acolhidas.
Por determinação da Justiça, a diretoria da entidade foi afastada cautelarmente, e um interventor judicial foi nomeado para assumir a administração provisória do local.
A decisão também autoriza o acesso a informações da instituição e prevê o encaminhamento das possíveis vítimas à rede de proteção social, com acompanhamento especializado.
Violência contra mulher
O aumento das denúncias de violência contra a mulher tem sido visto como um avanço no enfrentamento ao problema, mas também expõe um desafio: a necessidade de ampliar a estrutura da rede de proteção. Denúncias de violência contra mulher crescem e exigem estrutura, alerta promotora de Justiça Sara Gama.
A especialista é também coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Em entrevista ao Aratu On, ela aponta a necessidade de incentivar as vítimas a denunciar segue sendo fundamental, mas com dez anos desde a criação de leis e campanhas sobre feminicídio, a resposta do poder público precisa acompanhar o crescimento das demandas.
A Rede de Observatórios da Segurança divulgou, nesta sexta-feira (6), a sexta edição do boletim Elas Vivem: a urgência da vida.
De acordo com o levantamento, a Bahia registrou 240 casos de violência contra mulheres em 2025, número que representa uma redução de 6,6% em relação ao ano anterior. Nos casos de feminicídio registrados no estado, 72,9% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo o relatório.
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