Operação contra tráfico de drogas prende seis pessoas em Salvador e no interior da Bahia
Terceira fase da Operação Angerona cumpriu mandados em quatro municípios e apreendeu armas, celulares, balanças de precisão e entorpecentes
Por Victor Hernandes.
Seis pessoas foram presas nesta sexta-feira (6), durante a terceira fase da Operação Angerona, deflagrada contra uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas e atuação armada em Salvador e no interior da Bahia. Quatro das prisões ocorreram em flagrante durante a ação integrada da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia (MPBA).

A operação cumpriu oito mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão nos municípios de Salvador, Feira de Santana, Itaberaba e Xique-Xique. Durante as diligências, foram apreendidos celulares, pistolas, balanças de precisão e uma grande quantidade de entorpecentes.
Durante a ação, um homem foi preso após manter a própria esposa, que está grávida, como refém, no bairro de Cosme de Farias, em Salvador. Na chegada da polícia, o homem manteve a esposa como refém. Após negociações com os investigadores, ele decidiu se entregar, e a mulher foi liberada.
Em seguida, o suspeito foi encaminhado à sede do Departamento de Investigação Criminal (DEIC), onde permanece à disposição da Justiça.
Operação Angerona investiga organização criminosa na Bahia
De acordo com o MPBA, a ofensiva tem como objetivo cumprir mandados judiciais contra suspeitos de integrar o grupo criminoso e participar do comércio de drogas. As investigações apontam que a organização atuava na comercialização e distribuição de entorpecentes, além de movimentar recursos de origem ilícita e adquirir armamentos. O grupo também é investigado por envolvimento em disputas territoriais.
A Operação Angerona III é coordenada pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) de Feira de Santana, em conjunto com a Agência de Inteligência. As unidades são vinculadas ao Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic).
Ao todo, 65 policiais civis e integrantes do MPBA participam da ação. As equipes são vinculadas ao Deic, ao Departamento de Polícia do Interior (Depin), ao Grupo Especial de Atuação para o Controle Externo da Atividade Policial (Gacep) e ao Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco).
A terceira fase é um desdobramento de investigações iniciadas em etapas anteriores, que apuram a estrutura e o funcionamento da organização criminosa. Segundo as apurações, o grupo possui divisão de funções e atuação articulada em diferentes municípios baianos.
Facções criminosas disputam territórios na Bahia
Na Bahia, ao menos 14 facções criminosas disputam o controle do tráfico de drogas, da juventude e, principalmente, de territórios. Em Salvador, a disputa por comunidades e rotas estratégicas ganhou uma nova dimensão a partir de 2018, com a aproximação de grupos locais a facções nacionais, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre as organizações com maior influência na capital baiana estão o Comando Vermelho e o Bonde do Maluco (BDM). Outras facções também têm atuação na cidade, como Katiara, Comando da Paz (CP), Ordem e Progresso (OP) e Terceiro Comando Puro (TCP).
As alianças entre os grupos também modificaram o cenário do crime organizado no estado. O Comando da Paz, por exemplo, foi incorporado ao Comando Vermelho, enquanto o BDM se aliou ao Terceiro Comando Puro. A Katiara, que atuava em Valéria, também mantém alinhamento com o CV.

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