Mais de 10 suspeitos são denunciados à Justiça por organização criminosa em destinos paradisíacos da Bahia
MP-BA denunciou 13 pessoas por suposta atuação em grupo com estrutura de comando, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e circulação de armas em três destinos paradisíacos
Por Victor Hernandes.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou 13 pessoas à Justiça por suposta participação em uma organização criminosa que atuaria em alguns dos principais destinos turísticos do estado, como Trancoso, Arraial d’Ajuda e Porto Seguro, no extremo sul da Bahia.

Segundo o MP-BA, o grupo teria uma estrutura organizada para atuação no tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, circulação de armas e cobrança de valores em diferentes pontos da região. A denúncia foi apresentada nesta segunda-feira (14).
De acordo com as investigações, a organização seria liderada por José Venâncio Farias dos Santos, conhecido como “Cadu” ou “Du Love”. O grupo teria uma divisão de funções entre integrantes responsáveis pelo comando, operações, movimentação financeira e atividades de apoio. O Ministério Público afirma que a organização teria desenvolvido um sistema próprio de arrecadação financeira, além de uma rede de distribuição e entrega de drogas.
Os investigadores também apontam a existência de operadores responsáveis pela lavagem de dinheiro e de integrantes encarregados da logística para transporte de drogas e armas. Entre os integrantes apontados como parte do núcleo operacional estão Thierry Santos Sena, Ivanildo Sousa Rocha Neto, Felipe Silva do Nascimento, Everton Valiense Xavier e Almir Gabriel Santos Cabral. Conforme a denúncia, eles teriam funções relacionadas à distribuição e entrega de drogas, arrecadação de valores, logística e transporte de armamentos.
A denúncia é resultado das investigações da Operação Costa Limpa, que apurou a atuação do grupo na região turística do extremo sul da Bahia. Dependendo da participação atribuída a cada denunciado, o MP-BA aponta possíveis crimes relacionados à organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e favorecimento ao domínio social estruturado.
O Ministério Público também afirma que o grupo apresenta características que permitiriam classificá-lo juridicamente como uma organização criminosa ultraviolenta. Entre os elementos apontados estão o suposto controle territorial, uso de intimidação, presença de armamento e a existência de uma estrutura conhecida como “tribunal do crime”.
As investigações também identificaram, segundo o MP-BA, negociações envolvendo fuzis e outras armas de alto poder de fogo, além de transporte de armamentos, recrutamento de integrantes, aplicação de punições internas e intimidação de grupos rivais. A denúncia apresentada pelo Ministério Público ainda será analisada pela Justiça. A acusação, por si só, não significa que os denunciados tenham sido condenados pelos crimes atribuídos a eles.
Grupos criminosos e facções na Bahia
A denuncia contra a organização criminosa chega após a Bahia registrar ao menos 14 facções criminosas disputam o controle do tráfico de drogas, da juventude e, principalmente, do território. A disputa pelo controle das comunidades e das rotas mais estratégicas de Salvador sempre foi de interesse das quadrilhas locais, mas, desde 2018, a capital entrou em um novo estágio de conflito: uma disputa de aliança com facções nacionais como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), organizações com ramificações em todo o país e até em países fronteiriços, como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela.
Entre as facções que mais disputam território em Salvador, as mais proeminentes são o Comando Vermelho (CV) e a quadrilha baiana Bonde do Maluco (BDM), que atualmente se destacam pela crescente influência no poder paralelo da Bahia.
Além delas, a capital abriga outras organizações, como Katiara, Comando da Paz (CP), Ordem e Progresso (OP) e Terceiro Comando Puro (TCP), sem contar facções com atividade reduzida, como a Tropa do A, fruto da transformação da Ordem e Progresso (OP), que marca a chegada do PCC na Bahia.
Apesar de uma infinidade de associações criminosas, elas têm algo em comum. O processo de ramificação entre elas. Hoje, o Comando da Paz, por exemplo, se incorporou ao CV, enquanto o BDM se aliou a carioca, TCP. Já a Katiara, que atuava em Valéria, apesar de atividade solo, também se alinha ao Comando Vermelho.
Facções criminosas e o poder de Estado
O professor Luciano Pontes, especialista em Direito Penal e Segurança Pública, destaca que essa expansão das facções nacionais ocorre num cenário marcado pela ausência do Estado em áreas periféricas:
“Salvador apresenta bairros periféricos grandes, em relevos acidentados, com população carente em extrema pobreza. O crime organizado adentra e acaba fazendo o papel do Estado, ordenando o território e impondo suas próprias leis, contrariando o Estado democrático de direito.”

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