Morte após mutirão na Bahia: família de idoso pede indenização de R$ 3 milhões

O idoso, de 72 anos, morreu após apresentar problemas de visão e sintomas de infecção depois de um procedimento oftalmológico realizado na clínica

Por Dinaldo dos Santos.

Um valor correspondente a R$ 3 milhões é o que a defesa da família de Gilberto Pereira Pontes pede em ação judicial contra a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) e o Centro Médico e Odontológico (Hospital Ceom), em Irecê. O idoso, de 72 anos, morreu após apresentar problemas de visão e sintomas de infecção depois de um procedimento oftalmológico realizado na clínica.

Ele está entre os 26 pacientes, submetidos ao procedimento, entre 28 de fevereiro e 1º de março, que relataram complicações, após serem atendidos em um mutirão.

Família pede indenização de R$ 3 milhões. Foto: Reprodução

O advogado da família do idoso, Joviniano Dourado Lopes Neto, informou que o processo tramita em sigilo na esfera cível. Ele mencionou danos material, moral e estético e ressaltou que Gilberto era o provedor da família e deixou viúva.

Ao todo, o advogado representa os interesses de 12 pessoas, submetidas ao procedimento cirúrgico. Ele contou que Gilberto perdeu a visão, desde o dia 28 de fevereiro e morreu no último dia 31 de março, no Hospital Municipal de Uibaí, sua cidade natal, no qual havia se internado, buscando tratamento, um dia antes.

"De uma forma geral, os pacientes envolvidos reclamam de um processo infeccioso que gera dor e alguns ficaram sem enxergar", disse o advogado.

Caso Clivan

Após mais de um mês, segue sob investigação, a situação de um mutirão de cirurgias de catarata, realizado, em Salvador, que ocasionou perda de visão em 13 pessoas. Os procedimentos foram feitos, no último dia 26 de fevereiro e depois das ocorrências, 15 denúncias foram registradas na Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati) contra a Clivan, clínica responsável pelos procedimentos.

Segundo informações da Polícia Civil, a unidade continua com diligências investigativas para apurar os casos  de lesão corporal culposa. As vítimas que formalizaram o registro, já foram ouvidas pela especializada e depoimentos a fim de esclarecer as circunstâncias das ocorrências estão em andamento. 

Clivan fica na Avenida Garibaldi, em Salvador. Foto: Reprodução

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), informou que a pasta segue acompanhando os pacientes submetidos ao mutirão. Ao todo, 26 pacientes permanecem em acompanhamento pela rede pública de saúde, sem previsão de alta neste momento.

A idosa Maria Ribeiro Brito, 72 anos, é uma das pessoas que passa pela situação e corre sério risco de perder a visão de um dos olhos. Em contato com a nossa reportagem, a filha dela, Eroniles Brito, relaotou que, recentemente, ela passou por uma cirurgia de vitrectomia, para retirada de líquido infeccionado do olho e fez também correção da retina.

"Estamos lutando para manter o olho dela na face, pois segundo os médicos será muito difícil voltar a enxergar", lamentou.

A advogada criminalista, Eveline Santos, defende os interesses de um paciente, vítima desse mutirão. além de outros dois que realizaram procedimentos, também na Clivan, em outra ocasião. "O do mutirão de fevereiro perdeu o olho e os outros dois perderam a visão, sem perda do globo ocular", comentou.

Segundo ela, a defesa está realizando perícias privadas com um assistente técnico para fundamentar a argumentação. "Nosso perito está produzindo os pareceres instrutórios apontando os erros", disse sem querer aprofundar detalhes.

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