Justiça solta mãe do rapper Oruam, investigada em operação contra o CV
A Justiça do Rio determinou a soltura de Márcia Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, investigada em operação contra o CV
Por Da redação.
A Justiça do Rio de Janeiro determinou a soltura de Márcia Nepomuceno após conceder habeas corpus nesta terça-feira (7). A decisão foi tomada pelo desembargador Marcus Basílio, integrante da 7ª Câmara Criminal. Márcia é companheira de Márcio Gama dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam.
A investigada era considerada foragida desde março, quando foi alvo de uma operação policial que também tinha como alvos o filho dela, o rapper Oruam, e um sobrinho de Marcinho VP. A ação, batizada de Operação Contenção Red Legacy, resultou na prisão de sete pessoas, entre elas o vereador Salvino Oliveira, que posteriormente foi liberado.

Mesmo após a operação, Oruam segue sem ser localizado e é considerado foragido desde fevereiro. As autoridades continuam as buscas.
Segundo a polícia, a operação teve como objetivo atingir a estrutura nacional do Comando Vermelho, “identificada como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada”. As investigações também apontaram “indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC)”.
Defesa contesta acusações
A defesa de Márcia Nepomuceno sustenta que não há provas que sustentem as acusações divulgadas. Em março, os advogados classificaram as suspeitas como infundadas e afirmaram que ela já havia sido investigada anteriormente, mas acabou absolvida, decisão que foi mantida mesmo após recurso do Ministério Público.
Ainda conforme a defesa, Márcia é funcionária pública concursada, não possui antecedentes criminais e tem bens declarados. Os advogados também ressaltaram que ela criou os filhos sozinha e afirmaram que nenhum deles possui envolvimento com práticas ilegais. Por fim, disseram confiar que a Justiça esclarecerá os fatos.
Na noite do último sábado (4), Débora Gama, irmã de Oruam, se pronunciou nas redes sociais sobre a suposta perseguição que a família vem enfrentando: “Hoje escrevo por alguém que, neste momento, não pode falar por si. Vivemos dias difíceis. Já se passaram quase um mês, e eu me vejo revivendo uma dor que conheci ainda criança, aos 12 anos”.
Investigação aponta atuação de familiares
De acordo com a polícia, Marcinho VP “continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção” mesmo após quase três décadas no sistema prisional. As investigações indicam que ele integra o chamado “conselho federal permanente” do Comando Vermelho.

No caso de Márcia Nepomuceno, os investigadores afirmam que ela atuaria como intermediadora de interesses do grupo fora da prisão, “participando da circulação de informações e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos”.
Já o sobrinho de Marcinho VP, identificado como Landerson, teria, segundo a polícia, a função de ligação entre lideranças da facção, membros que atuam em áreas dominadas pelo grupo e pessoas relacionadas a atividades econômicas exploradas pela organização, “como serviços e imóveis”.
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