Inema barra empresa após contaminação por nitrato e cobre em praia de Salvador

Ludos técnicos do Inema confirmaram a presença de níveis tóxicos de Cobre e Nitrato, tanto na água quanto na areia da região

Por Anna Caroline Santiago.

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) determinou, nesta quarta-feira (11), a interdição temporária das atividades do Terminal Itapuã, localizado na praia de São Tomé de Paripe. A decisão ocorre após laudos técnicos confirmarem a presença de níveis tóxicos de Cobre e Nitrato, tanto na água quanto na areia da região.

Inema barra empresa após contaminação por nitrato e cobre em praia de Salvador.Foto: Reprodução

As investigações foram desencadeadas por denúncias de moradores, que registraram o surgimento de manchas coloridas na superfície do mar. Análises iniciais do Inema apontaram:

Além da coloração atípica, a comunidade local relatou o surgimento de animais mortos na faixa de areia. Segundo o Inema, as inspeções realizadas comprovaram que a contaminação possui correlação direta com as atividades operacionais do terminal.

Outra denúncia que chamou atenção envolve a morte de um menino de 9 anos. Levy Ramos Nascimento morreu em 1º de março, e familiares apontam a poluição na praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, como possível causa do falecimento. As autoridades de saúde e órgãos ambientais investigam se há nexo causal entre o óbito e o descarte de substâncias químicas.

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Família culpa poluição de praia em Salvador por morte de criança de 9 anos.Foto: TV Aratu

O que diz a empresa

Em nota oficial, o Terminal Itapuã, gerido pela Intermarítima, negou qualquer responsabilidade sobre o incidente. A empresa afirma que, desde que assumiu a operação em abril de 2022, segue rigorosos protocolos ambientais.

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A Intermarítima assegura que não movimenta produtos químicos perigosos, como enxofre, amônia ou cobre, e que não identificou nenhuma carga compatível com os resíduos encontrados.

O terminal permanece com as atividades suspensas até que as medidas de remediação sejam cumpridas e a segurança ambiental da área seja atestada pelos órgãos reguladores.

Veja nota da Intermarítima:

"A Intermarítima informa que, desde que assumiu a operação do Terminal, em abril de 2022, mantém rigorosos protocolos ambientais e operacionais e não movimenta produtos químicos perigosos, como enxofres, amônia, ou cobre.

O Terminal atua na movimentação de fertilizantes, como cloreto de potássio, rocha fosfática e ureia — este último armazenado preferencialmente de forma confinada em armazéns cobertos —, além de coque e escória de titânio. Todos os materiais movimentados constam nas respectivas licenças ambientais e operacionais emitidas pelos órgãos competentes.

Com o objetivo de contribuir de forma célere e transparente para o esclarecimento dos fatos, foi contratada consultoria especializada e independente para realizar análises complementares da qualidade da água na região. As coletas ocorreram através de laboratório credenciado com acompanhamento da fiscalização.

Quanto às dúvidas sobre a presença de pó na área, a companhia ressalta que não utiliza materiais tóxicos e promove monitoramento periódico da qualidade do ar, com envio de relatórios ao INEMA. Todas as medições permanecem dentro dos limites estabelecidos na legislação ambiental vigente.

Paralelamente, intensificou a atuação junto à comunidade, disponibilizando equipe técnica para esclarecimentos e acompanhamento das demandas locais. Além disso, desenvolve iniciativas de educação ambiental e fortalecimento do vínculo comunitário, por meio do Programa de Educação Ambiental (PEA), e realiza projetos educacionais, esportivos e de saúde pública.

A organização possui certificações ISO 9001 e ISO 14001, que atestam seus padrões de qualidade e gestão ambiental, além da ISO 45001, voltada à saúde e segurança ocupacional. Conta ainda com a certificação Ecovadis Prata, que reconhece suas práticas em governança e sustentabilidade, reafirmando o alinhamento às melhores práticas nacionais e internacionais de sustentabilidade e à integração entre desenvolvimento econômico, respeito ambiental e responsabilidade social.

A empresa reforça que é de seu total interesse a rápida elucidação do caso, permanece colaborando integralmente com os órgãos de fiscalização competentes e está à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos complementares".

Veja nota do terminal de Itapuã:

"Foi com surpresa que o Terminal Itapuã tomou conhecimento de recente decisão do instituto do meio ambiente da Bahia que determina a interdição temporária do seu funcionamento.

O Inema realizou inspeções recentes, nos dias 20 e 24 de fevereiro de 2026, no mesmo local, e não encontrou irregularidades operacionais ou falta de licenças.

O órgão recebeu também a lista de todas as mercadorias movimentadas pelo terminal desde que assumiu a operação e não identificou nenhuma carga movimentada relacionada com produto químico perigoso ou produtos de coloração azul ou verde, como os que foram percebidos no mês passado na areia da praia de são Tomé de Paripe.

O Terminal Itapuã mantém rotinas frequentes e sistemáticas de monitoramento da qualidade da água, especialmente em períodos de maior movimentação operacional e em condições climáticas adversas, não tendo sido identificada qualquer contaminação associada aos produtos manuseados.

O avanço das avaliações aponta para causas externas à sua operação ou, ao menos, pretéritas. como não há relação entre a operação atual e o evento e ainda, como a operação atual não altera o problema, é de extrema importância que sejam identificadas as causas reais, e não parar a operação atual, que não tem relação com o ocorrido.

 

O Terminal Itapuã reitera que está empenhado em estabelecer as causas dos eventos recentes, não apenas colaborando com as autoridades responsáveis, mas por esforços próprios.

A comunidade de São Tomé de Paripe merece receber os esclarecimentos necessários, com a maior brevidade possível".

CMS deve realizar audiência para apurar contaminação em praia de Salvador

O caso de contaminação na praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, ganhará desdobramentos políticos. CMS deve realizar audiência para apurar contaminação na praia de Paripe. A medida foi anunciada pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB) após visita realizada ao local em 1º de março.

Segundo a comunista, foram verificados os impactos provocados por um produto químico azul que teria atingido a área ao longo do mês de fevereiro, gerando preocupação entre pescadores e moradores.

De acordo com informações divulgadas após a reunião, para a audiência deverão ser convidados representantes de órgãos públicos "envolvidos na investigação e solução do verdadeiro desastre ambiental que vem assustando a população e afetando a economia local".

A mobilização ocorreu após relatos feitos por moradores e trabalhadores da pesca. A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) realizou reunião com representantes da comunidade e indicou que a Casa Legislativa deve realizar trabalhos em prol da causa. 

Leia mais: Análise do Inema aponta metais e nitrato em líquidos em praia de Salvador

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