Família culpa poluição de praia em Salvador por morte de criança de 9 anos
Levy Ramos, de 9 anos, teve infecção pulmonar após banho de mar; Inema interditou trecho após identificar substâncias coloridas na água
Levy Ramos Nascimento, de 9 anos, morreu no último domingo (1°) após apresentar um quadro de infecção pulmonar. A família da criança, que tinha Síndrome de Down, alega que a morte foi causada pela contaminação da água na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador.
Segundo a mãe de Levy, o filho começou a se queixar de dor de garganta após um banho de mar no dia 23 de fevereiro. Ela relatou que a criança apresentava uma mancha branca no céu da boca e já não conseguia se alimentar. A suspeita da família é que o menino tenha ingerido água do mar.

Levy foi inicialmente levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi medicado e liberado. No entanto, o quadro se agravou e ele foi encaminhado ao Hospital 2 de Julho, onde recebeu o diagnóstico de infecção pulmonar.
A família relata que a evolução foi rápida. Na quarta-feira, o menino apresentou uma leve melhora, mas sofreu uma parada cardíaca à noite. Ele foi intubado e permaneceu em estado grave até domingo, quando não resistiu.
Relatos da comunidade
Moradores da região afirmam que, há pelo menos duas semanas, animais marinhos têm aparecido mortos na areia. A mãe de Levy também informou que outras duas crianças da comunidade estariam internadas com sintomas semelhantes após frequentarem a mesma praia. O quadro de saúde das crianças ainda é desconhecido.
Por precaução, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) anunciou a interdição de um trecho da praia de São Tomé de Paripe após a identificação de substâncias líquidas de cores azul e amarela. Em nota, o órgão declarou:
"Em razão da presença de líquidos de origem desconhecida em ambiente costeiro [...] e com base no princípio da precaução, foi determinada a instalação de placas de advertência no local afetado, restringindo o acesso da população."
Análises iniciais do Inema apontaram:
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Líquido amarelo: Concentração elevada de nitrato.

Posicionamento das autoridades e da empresa
A família acusa a empresa Intermarítima, que opera terminais de granéis, fertilizantes e minérios, pela possível contaminação. Em nota oficial, a companhia negou as acusações, afirmando que mantém rigorosos protocolos ambientais e que não movimenta produtos químicos perigosos, como cobre ou amônia.
Já a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) lamentou o falecimento de Levy, mas afirmou que, até o momento, não há evidências clínicas que confirmem que a infecção do garoto esteja relacionada a agentes químicos.
Veja nota da Intermarítima:
A Intermarítima informa que, desde que assumiu a operação do Terminal, em abril de 2022, mantém rigorosos protocolos ambientais e operacionais e não movimenta produtos químicos perigosos, como enxofres, amônia, ou cobre.
O Terminal atua na movimentação de fertilizantes, como cloreto de potássio, rocha fosfática e ureia — este último armazenado preferencialmente de forma confinada em armazéns cobertos —, além de coque e escória de titânio. Todos os materiais movimentados constam nas respectivas licenças ambientais e operacionais emitidas pelos órgãos competentes.
Com o objetivo de contribuir de forma célere e transparente para o esclarecimento dos fatos, foi contratada consultoria especializada e independente para realizar análises complementares da qualidade da água na região. As coletas ocorreram através de laboratório credenciado com acompanhamento da fiscalização.
Quanto às dúvidas sobre a presença de pó na área, a companhia ressalta que não utiliza materiais tóxicos e promove monitoramento periódico da qualidade do ar, com envio de relatórios ao INEMA. Todas as medições permanecem dentro dos limites estabelecidos na legislação ambiental vigente.
Paralelamente, intensificou a atuação junto à comunidade, disponibilizando equipe técnica para esclarecimentos e acompanhamento das demandas locais. Além disso, desenvolve iniciativas de educação ambiental e fortalecimento do vínculo comunitário, por meio do Programa de Educação Ambiental (PEA), e realiza projetos educacionais, esportivos e de saúde pública.
A organização possui certificações ISO 9001 e ISO 14001, que atestam seus padrões de qualidade e gestão ambiental, além da ISO 45001, voltada à saúde e segurança ocupacional. Conta ainda com a certificação Ecovadis Prata, que reconhece suas práticas em governança e sustentabilidade, reafirmando o alinhamento às melhores práticas nacionais e internacionais de sustentabilidade e à integração entre desenvolvimento econômico, respeito ambiental e responsabilidade social.
A empresa reforça que é de seu total interesse a rápida elucidação do caso, permanece colaborando integralmente com os órgãos de fiscalização competentes e está à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos complementares.
Leia mais: Alerta laranja: Salvador terá chuvas e trovoadas até o final de semanaSiga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).