Ex-príncipe Andrew é libertado após 11 horas detido por ligação com Epstein
Ex-príncipe Andrew foi detido investigado por suspeita de má conduta no exercício de funções públicas em investigações que envolvem sua relação com o financista Jeffrey Epstein
Por Laraelen Oliveira.
O ex-príncipe Andrew, Duke of York, irmão do rei Charles III, foi solto nesta quinta-feira (19) após passar cerca de 11 horas detido no Reino Unido. Ele havia sido preso sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. Ao deixar a delegacia, foi fotografado pela agência Reuters no banco traseiro de um carro, com as mãos cruzadas.
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De acordo com as autoridades, Andrew foi liberado enquanto as investigações continuam. A polícia informou ainda que seguem em andamento buscas em endereços ligados ao ex-príncipe.

A detenção ocorreu uma semana depois de as autoridades britânicas abrirem uma investigação para apurar se Andrew teria enviado relatórios confidenciais a Jeffrey Epstein durante o período em que atuou como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional.
Epstein, financista norte-americano acusado de comandar uma rede de abuso sexual de menores, morreu na prisão em 2019. Desde dezembro, documentos do caso divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mencionam Andrew diversas vezes. Entre os arquivos tornados públicos, há fotografias em que o ex-príncipe aparece ao lado de uma mulher com o rosto censurado.
Andrew também enfrentou acusações de agressão sexual feitas por Virginia Giuffre, uma das principais testemunhas do caso Epstein, que afirmou ter sido abusada quando ainda era menor de idade. Giuffre morreu na Austrália, em abril de 2025, aos 41 anos. O ex-príncipe nega todas as acusações, tanto as relacionadas ao suposto envio de informações confidenciais quanto as de agressão sexual.
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Operação policial realiza busca em imóveis ligados a Andrew
A polícia realizou buscas em dois imóveis associados a Andrew, um em Berkshire, a oeste de Londres, e outro em Norfolk, no leste da Inglaterra. Autoridades locais confirmaram apoio às operações.
“Após uma avaliação minuciosa, abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta no exercício de cargo público. É importante proteger a integridade e a objetividade da apuração enquanto trabalhamos com nossos parceiros”, afirmou o subchefe de polícia Oliver Wright.

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Durante a manhã, a polícia do Vale do Tâmisa informou ter prendido um homem na faixa dos 60 anos com “motivos razoáveis para suspeitar que um crime ocorreu”. O nome do detido não foi divulgado inicialmente, sob a justificativa de preservar sua identidade.
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Horas depois, a BBC publicou reportagem informando que o preso era o ex-príncipe Andrew. A informação foi posteriormente confirmada pela família real britânica.
Em comunicado, Charles III afirmou ter recebido a notícia “com preocupação”, mas declarou que a polícia tem o apoio da família real e que “a lei precisa seguir seu curso”. Segundo a BBC, o monarca não foi informado previamente sobre a prisão.
Ainda de acordo com a emissora, caso seja considerado culpado de má conduta no exercício de cargo público, Andrew poderá enfrentar pena de prisão perpétua.
Pressão sobre a família real
As revelações sobre os vínculos entre Andrew e Epstein, detalhadas em documentos tornados públicos nos Estados Unidos, aumentaram a pressão sobre a monarquia britânica. Em outubro do ano passado, Andrew foi destituído de todos os títulos reais por decisão de Charles III, após novas informações sobre sua relação com o financista virem à tona. Ele também deixou a residência oficial em Windsor e passou a viver em uma propriedade em Sandringham.
As autoridades britânicas abriram investigações após o surgimento de possíveis conexões do caso com o Reino Unido. Nesta semana, a polícia solicitou que eventuais testemunhas denunciem casos de tráfico de mulheres ligados às apurações em andamento.
Caso Epstein
O caso Epstein transformou-se em um novo ponto de tensão política para o governo de Donald Trump. Setores diversos, inclusive parte de sua própria base eleitoral, passaram a exigir a divulgação integral dos arquivos ligados ao empresário.

Em fevereiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos alguns documentos do processo, mas o material divulgado não trouxe informações inéditas. Desde então, Trump tem reduzido a importância do tema e chegou a classificar como “idiotas” aqueles que seguem debatendo o assunto, apesar de ele próprio ter ajudado a impulsionar teorias conspiratórias relacionadas ao caso.
De acordo com fontes do Departamento de Justiça, o presidente foi informado, em maio, de que seu nome consta entre os mencionados nos registros vinculados a Epstein.
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