Ex-diretor de presídio que matou namorada em hotel não tentou suicídio, diz MP
O principal suspeito do crime é o policial penal e ex-diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso, na Bahia, Tiago Sóstenes Miranda de Matos
Por Bruna Castelo Branco.
O Ministério Público de Sergipe (MP-SE) apresentou novos detalhes da investigação sobre o feminicídio da empresária e estudante de Direito Flávia Barros dos Santos, assassinada a tiros dentro de um hotel no bairro Coroa do Meio, Zona Sul de Aracaju, em março deste ano. O principal suspeito do crime é o policial penal e ex-diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso, na Bahia, Tiago Sóstenes Miranda de Matos, que permanece preso preventivamente.
Durante coletiva de imprensa, as promotoras responsáveis pelo caso detalharam provas periciais, imagens de câmeras de segurança e informações extraídas dos celulares dos envolvidos, apontando que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e relacionamento abusivo.

Um dos pontos destacados pelo Ministério Público foi a contestação da versão apresentada inicialmente pelo suspeito de que teria tentado tirar a própria vida após matar Flávia.
Segundo a promotora de Justiça Luciana Duarte, os exames periciais apontaram que os ferimentos sofridos por Tiago foram provocados por disparos que ricochetearam em outros alvos durante a execução da vítima.

“Tiago Sóstenes não tentou tirar a própria vida. Ele foi atingido inclusive de forma superficial na cabeça por tiros que ricochetearam em outros alvos. Essa alegação de que ele estava absolutamente abalado e que, portanto, acabou tentando tirar a própria vida cai por terra com base nas provas que até o momento foram produzidas”, afirmou.
De acordo com o MP-SE, a conclusão reforça a tese de feminicídio qualificado, afastando qualquer narrativa de descontrole emocional seguido de tentativa de suicídio. Veja vídeo do crime:
Vítima estava deitada quando foi executada
As investigações também apontam que Flávia Barros foi surpreendida dentro do quarto do hotel e não teve qualquer possibilidade de defesa.
Segundo o Ministério Público, a empresária estava deitada na cama quando foi atingida pelos disparos efetuados pelo policial penal. A dinâmica do crime foi reconstruída a partir da análise da cena, dos laudos técnicos e das imagens captadas pelas câmeras de segurança do estabelecimento.
Durante a coletiva, as promotoras exibiram um vídeo que mostra o momento em que Tiago chega ao hotel após a vítima, circula pelo local e segue até o quarto onde Flávia estava hospedada. Em seguida, ele arromba a porta e entra no cômodo antes dos disparos.

Mensagens indicam relacionamento abusivo
Outro elemento considerado central pela investigação são os conteúdos encontrados nos aparelhos celulares dos envolvidos. Segundo o MP, as mensagens revelam um histórico de controle, ciúmes e episódios anteriores de violência praticados pelo suspeito contra Flávia.
Ainda conforme a investigação, o relacionamento era marcado por comportamento possessivo e conflitos recorrentes. As promotoras sustentam que os elementos reunidos reforçam o enquadramento do caso como feminicídio motivado por questões de gênero e violência doméstica.

Ministério Público pede pena máxima
O Ministério Público de Sergipe pediu a condenação de Tiago Sóstenes por feminicídio consumado, com incidência de agravantes relacionadas ao uso de arma de fogo de uso restrito e à condição dele como agente da segurança pública.
A promotora Luciana Duarte afirmou que as circunstâncias do crime justificam uma punição rigorosa.
“A pena tem que ser rigorosa nesse caso, não só por se tratar de feminicídio, mas um feminicídio com circunstâncias que agravam absolutamente o crime, como o fato dele ser agente da segurança pública, fazer uso de uma arma funcional, por ele ter encurralado a vítima no quarto, atirado nela sem possibilidade de defesa motivado e imbuído com essa questão de gênero”, declarou.
O crime de feminicídio pode resultar em pena de até 40 anos de prisão.

Relembre o caso
Flávia Barros dos Santos foi assassinada no dia 22 de março deste ano dentro de um hotel localizado no bairro Coroa do Meio, em Aracaju. Após os disparos, Tiago Sóstenes foi socorrido e encaminhado a uma unidade hospitalar.
Depois de receber alta médica, ele foi levado ao Presídio Militar de Sergipe, onde segue custodiado preventivamente enquanto o caso avança para a fase judicial.
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