Décimo advogado é preso em operação contra facções em presídios na Bahia
Décimo advogado passa a integrar lista de juristas investigados por atuação na comunicação entre líderes de facções presos
Mais um advogado foi preso nesta sexta-feira (3), na Operação Sintonia de Gravata, que investiga um esquema de comunicação entre líderes de facções criminosas e integrantes em liberdade. Com a prisão, o número de juristas supostamente envolvidos na investigação subiu para 10.

Anteriormente, oito advogados haviam sido identificados na investigação. No entanto, a advogada Raiza da Silva passou a ser apontada como a nona investigada. Já o décimo advogado foi capturado na tarde desta sexta-feira, no município de Marcionílio Souza, no interior da Bahia.
Décimo advogado é preso em operação
De acordo com a Polícia Civil, o advogado, que estava foragido e tinha mandado de prisão em aberto, foi localizado por equipes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e do Departamento de Polícia do Interior (Depin), escondido em uma residência na cidade.
A identidade do décimo advogado preso ainda não foi divulgada pelas autoridades. Também não foram detalhadas, até o momento, as circunstâncias da atuação de Raiza da Silva no suposto esquema.
Segundo as investigações, os advogados presos atuavam para diferentes chefes de facções criminosas, incluindo lideranças do Comando Vermelho (CV) e do Bonde do Maluco (BDM), com atuação em Salvador e em cidades do interior da Bahia. Saiba quem são os advogados aqui.
Advogados alvos de operação
As apurações apontam que os investigados utilizavam indevidamente as prerrogativas da advocacia para driblar as regras de isolamento impostas em um presídio de segurança máxima. De acordo com os órgãos responsáveis pela operação, eles exerciam um papel estratégico na manutenção das atividades das organizações criminosas.

Ainda conforme a investigação, os advogados seriam responsáveis por transmitir mensagens entre detentos e comparsas em liberdade, repassar ordens das lideranças das facções e acompanhar a execução de ações ligadas aos grupos criminosos.
Além dos 10 advogados presos, a Operação Sintonia de Gravata também cumpriu 12 mandados de prisão contra detentos custodiados no sistema prisional baiano. A ação é realizada de forma integrada pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), Ministério Público da Bahia (MP-BA) e Polícia Civil.
Mandos cumpridos em presídios
Além dos oito advogados, que eram alvos de mandados de prisão, as forças de segurança cumpriram outras 12 ordens judiciais contra detentos custodiados em presídios do estado.
Também estão sendo executados 27 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorrem simultaneamente em Salvador e nos municípios de Feira de Santana, Barreiras, Serrinha, Lauro de Freitas e Camaçari.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos notebooks, celulares e documentos diversos que poderão contribuir para o aprofundamento das investigações e para a identificação da eventual participação de outros envolvidos.
As equipes permanecem em campo para o cumprimento das medidas judiciais e a operação segue em andamento. A ação é realizada em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e a Polícia Civil.
OAB se manifesta e avalia punições após prisão de oito advogados na Bahia

A Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA) se pronunciou, nesta sexta-feira (3), após a prisão de oito advogados durante a Operação Sintonia de Gravata, que investiga um esquema de comunicação entre líderes de facções criminosas presos e integrantes das organizações criminosas em liberdade.
Em nota pública, a OAB-BA afirmou que sua atuação durante o cumprimento dos mandados ocorreu em defesa das prerrogativas profissionais da advocacia, conforme previsto na legislação.
A presidente da Seccional, Daniela Borges, determinou que a Procuradoria Jurídica solicite ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) acesso aos autos do inquérito para acompanhar as investigações.
Segundo a entidade, após a análise da documentação, o material será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-BA, que poderá adotar as providências cabíveis, incluindo a eventual suspensão preventiva dos advogados envolvidos, conforme prevê o Estatuto da Advocacia e o Código de Ética e Disciplina.
"A OAB-BA informa, ainda, que está prestando o suporte necessário para assegurar que os advogados constituídos pelos investigados tenham acesso aos autos, em observância às prerrogativas da advocacia e às garantias do contraditório e da ampla defesa", diz a nota.
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