Crimes cibernéticos: mulher é alvo de operação após perseguir e ameaçar vítimas
Crimes cibernéticos são investigados pela Polícia Civil da Bahia, que cumpriu mandados de busca em imóvel ligado à investigada, em Salvador
Por Dinaldo dos Santos.
Com o fim de um relacionamento, uma mulher, de 28 anos, passou a perseguir, ameaçar e expor duas vítimas por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Os crimes cibernéticos são investigados pela Polícia Civil da Bahia e, nesta quinta-feira (3), foi deflagrada a Operação Cizânia, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em um imóvel em Salvador.

Perseguição virtual
Segundo as apurações, a suspeita passou a perseguir, em 2025, o ex-companheiro de outra mulher e a atual companheira dele. Para isso, criou e utilizou diversos perfis falsos, números de telefone e contas em plataformas digitais para publicar conteúdos ofensivos, ameaçadores e difamatórios contra as vítimas.
Há indícios de que dados pessoais das vítimas foram utilizados indevidamente para habilitar linhas telefônicas e criar contas digitais. A prática teria como objetivo manter a perseguição e dificultar a identificação da responsável pelas ações.
Durante o cumprimento dos mandados, no bairro de Plataforma, foram apreendidos celulares, dispositivos eletrônicos e outros materiais que serão submetidos à análise pericial para identificar conversas, documentos, imagens e demais elementos relacionados aos fatos. As apurações prosseguem para a identificação e possível responsabilização de outros envolvidos no caso.

Na mesma ação, as equipes conduziram um homem para prestar esclarecimentos após ele ser localizado com um aparelho telefônico com restrição de roubo. Ele é suspeito de receptação.
A Operação Cizânia foi realizada pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), unidade vinculada ao Departamento de Investigação Criminal (DEIC).
Crimes cibernéticos avançam
Há seis meses, o Aratu On publicou matéria sobre o avanço dos crimes cibernéticos no Brasil. Na ocasião foi relatado que a prática atingiu mais de 40 milhões de pessoas no último ano, segundo levantamento do Senado Federal.
O crescimento também aparece no Judiciário: as decisões relacionadas a golpes digitais saltaram de 70, em 2010, para um acumulado estimado de 129 mil até 2025. O tema foi analisado pelo advogado e mestre em Direito Lucas Carapiá, durante entrevista ao quadro Linha de Frente Jus, do Grupo Aratu.
Para ele, apesar da sofisticação tecnológica, os crimes cibernéticos continuam explorando um ponto central: o comportamento humano. "Esse tipo de golpe envolve acesso a dados e tecnologia, mas ele sempre vai ter a vulnerabilidade relacionada à pessoa", afirmou.
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