Bamor e Os Imbatíveis são suspensas por seis meses após mortes no último BAxVI
As torcidas organizadas Bamor e Os Imbatíveis foram suspensas por seis meses pela PMBA após os episódios de violência e mortes registrados no último BAxVI
Por Bruna Castelo Branco.
As torcidas organizadas Bamor e Os Imbatíveis foram suspensas por seis meses pela Polícia Militar da Bahia (PMBA) após os episódios de violência registrados durante o último BAxVI, realizado em 23 de agosto. A sanção começa a valer nesta quinta-feira (3) e impede as duas entidades de se apresentarem como torcidas organizadas em eventos esportivos durante o período.
A medida foi formalizada na manhã desta quarta-feira (2), na sede do Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (BEPE), com a presença de representantes das duas torcidas e do Ministério Público da Bahia (MP-BA).

A decisão ocorre após os episódios de violência relacionados ao clássico, que deixaram duas pessoas mortas, além de outras ocorrências. Segundo a PM, a medida também considera um histórico de episódios graves envolvendo integrantes de torcidas organizadas, como confrontos, vandalismo, agressões físicas, uso de artefatos explosivos e porte de armas.
O que muda durante a suspensão?
Durante os seis meses de sanção, Bamor e Os Imbatíveis ficam impedidas de comparecer a eventos esportivos, sejam estaduais, regionais, nacionais ou internacionais, utilizando elementos que as identifiquem como torcidas organizadas.
A restrição inclui faixas, cartazes, bandeiras, vestimentas e outros materiais de identificação. As torcidas também não poderão utilizar instrumentos musicais de qualquer natureza durante os eventos.
A formalização contou com a participação da promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia, Telma Leal de Oliveira; do comandante do BEPE, tenente-coronel Flávio; do presidente da Bamor, Luciano Venâncio; e do presidente de Os Imbatíveis, Gabriel Oliveira.
Base legal
Segundo a PMBA, a sanção tem como base a Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023) e os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados pelas duas torcidas com o Ministério Público da Bahia.
Os documentos estabelecem obrigações e medidas relacionadas a episódios de violência envolvendo torcidas organizadas. A corporação também cita os princípios da Administração Pública e o dever do Estado de prevenir a violência em eventos esportivos.

Violência e mortes no último BAxVI
Dois torcedores do Bahia morreram após serem vítimas de ataques durante uma sequência de episódios de violência registrados em Salvador no último 23 de julho, antes do clássico entre Vitória e Bahia, que terminou com o triunfo do time tricolor.
As vítimas foram identificadas como José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, conhecido como Nakombi, e Lucas dos Reis Bonfim, conhecido como LS.
Os dois eram ligados a torcidas organizadas do Bahia e morreram após serem alvos em diferentes ocorrências. As circunstâncias dos ataques são investigadas pela Polícia Civil.

José Alexandre, o Nakombi
José Alexandre Souza Borges tinha 28 anos e era conhecido como Nakombi entre integrantes de torcidas organizadas.
Torcedor do Bahia, ele deixa um filho de apenas dois meses. O bebê nasceu em junho deste ano.
Alexandre foi atacado no domingo (23), na região da Avenida 29 de Março, em Salvador. Segundo informações preliminares, ele estava em uma motocicleta quando teria sido seguido e atacado por um grupo.
Durante a agressão, o torcedor foi atingido com pauladas, garrafadas e golpes de arma branca. Ele chegou a ser socorrido e internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu aos ferimentos.

Lucas dos Reis Bonfim, o LS
A segunda vítima foi identificada como Lucas dos Reis Bonfim, conhecido como LS. Informações iniciais apontam que ele havia servido ao Exército recentemente.
Lucas também tinha ligação com torcidas organizadas. Segundo informações preliminares, ele chegou a integrar a Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI), mas, há cerca de um ano, passou a fazer parte da Bamor, torcida organizada ligada ao Bahia.
Lucas morreu após ser atingido por disparos de arma de fogo durante os episódios de violência registrados em Salvador no domingo.
As circunstâncias da morte e a eventual relação entre os diferentes ataques ocorridos na cidade são investigadas pela Polícia Civil.

Violência entre torcidas
As mortes de Alexandre e Lucas ocorreram em meio a uma sequência de ataques registrados em diferentes regiões de Salvador durante o domingo, dia do clássico Ba-Vi.
A Polícia Militar informou que seis homens foram conduzidos ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) após uma ocorrência na região da Avenida 29 de Março. Com eles, foram apreendidas facas, soqueiras, foguetes e artefatos explosivos artesanais.
A polícia também identificou vestígios aparentes de sangue nas roupas de alguns dos abordados. O caso segue sob investigação para esclarecer a participação de cada envolvido nas agressões e mortes.

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