Acusado de matar mulher com 44 facadas confessa crime durante júri em Salvador
O júri popular de Gilmar Correia da Silva, acusado de matar mulher com 44 facadas, começou na manhã desta quarta-feira (3)
Por Bruna Castelo Branco.
O júri popular de Gilmar Correia da Silva, acusado de matar a companheira Lindiane Rufino Soares, começou na manhã desta quarta-feira (3), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Durante o interrogatório, o réu confessou o crime.
A sessão foi suspensa para intervalo e será retomada à tarde, com os debates entre acusação e defesa. A expectativa é que o Conselho de Sentença decida ainda nesta quarta se o acusado será condenado ou absolvido. Pela manhã, foram ouvidas quatro testemunhas arroladas pelo Ministério Público, uma pela defesa e o próprio réu. As demais testemunhas previstas foram dispensadas.

Entenda caso de acusado de matar mulher com 44 facadas
Gilmar responde por feminicídio pela morte de Lindiane, ocorrida em 5 de janeiro de 2025, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro de São Rafael. Os dois mantinham um relacionamento há cerca de 15 anos e tinham uma filha de 10 anos.
O julgamento é presidido pelo juiz Gabriel Igleses, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador. Além da autoria do crime, os jurados irão analisar se o caso ocorreu em contexto de violência doméstica e se há qualificadoras, como o uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O reconhecimento dessas circunstâncias pode aumentar a pena em caso de condenação.

Crime ocorreu em dia de folga
Segundo a investigação, Lindiane Rufino Soares foi morta com 44 golpes de faca. Ao negar um pedido de liberdade provisória apresentado pela defesa, a juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos destacou a gravidade do crime, ressaltando que a vítima sofreu múltiplas perfurações e uma amputação traumática na ponta do dedo polegar da mão direita.
Familiares relataram que o relacionamento enfrentava conflitos desde dezembro de 2024. No dia do crime, Gilmar, que trabalha embarcado, teria solicitado uma folga ao chefe alegando a necessidade de resolver questões pessoais.
Após o feminicídio, de acordo com as investigações, o acusado tentou deixar o local em um carro por aplicativo. O motorista, porém, recusou a corrida ao perceber que ele estava com as roupas manchadas de sangue. A polícia foi acionada e Gilmar acabou preso em flagrante por uma policial militar que estava de folga e seguia para casa.
O julgamento integra as ações do projeto TJBA Mais Júri, iniciativa do Tribunal de Justiça da Bahia voltada à ampliação do número de julgamentos de crimes dolosos contra a vida em todo o estado.
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