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Jovem morta pelo ex nos EUA morou em Salvador e voltaria à Bahia para visitar a família

Júlia Lima, de 21 anos, morta a tiros pelo ex-namorado nos Estados Unidos, tinha uma ligação com a Bahia

Por Da redação.

Júlia Lima, de 21 anos, morta a tiros pelo ex-namorado nos Estados Unidos, tinha uma ligação com a Bahia. Filha de pais baianos, ela morou em Salvador durante parte da adolescência, estudou na capital e tinha viagem marcada para o estado nas próximas semanas, quando faria um tratamento dentário e visitaria os avós.

O principal suspeito do crime é Willian Rosa do Amaral, natural de Engenheiro Caldas, em Minas Gerais. Ele se apresentou à polícia na segunda-feira (27), na cidade de Fort Myers, na Flórida, e foi preso por homicídio em segundo grau. O caso é investigado pelas autoridades americanas.

Júlia Lima, de 21 anos, morta a tiros pelo ex-namorado nos Estados Unidos, tinha uma ligação com a Bahia. | Foto: Redes Sociais

Adolescência na Bahia

Ao g1, o avô da jovem, Luiz Carlos Gantois Santos, contou que Júlia nasceu nos Estados Unidos, mas viveu parte da adolescência na Bahia. "A mãe é baiana, é minha filha, e o pai também é baiano, mas tem naturalidade americana. Eles foram morar lá, casaram e tiveram Júlia".

Segundo ele, durante um período de recessão econômica nos Estados Unidos, a família retornou ao Brasil e passou a morar em Guarajuba, na Região Metropolitana de Salvador. Após a separação dos pais, Júlia passou a viver com os avós. "Com a recessão americana que teve lá, eles vieram para cá, morar em Guarajuba. Eles ficaram aqui um tempo e a Júlia morou comigo, depois que os pais se separaram".

Durante esse período, a jovem estudou no Colégio ISBA, em Salvador. Anos depois, voltou para os Estados Unidos, mas manteve contato frequente com os avós.

Viagem para Salvador

De acordo com Luiz Carlos, Júlia já tinha passagem marcada para visitar a família na Bahia. "Ela vinha no final de julho para início de agosto para Salvador e ia fazer um tratamento dentário aqui, mas infelizmente o cara matou ela".

O principal suspeito do crime é Willian Rosa do Amaral, natural de Engenheiro Caldas, em Minas Gerais. | Foto: Redes Sociais

A família aguarda a liberação do corpo pelas autoridades americanas para realizar a cremação nos Estados Unidos.

Como aconteceu o crime

Segundo o relato do avô, Júlia havia saído para uma festa em outra cidade da Flórida, acompanhada de amigos, no dia 24. Depois, passou a noite na casa de um deles.

Na manhã seguinte, a mãe da jovem teria informado que o carro dela havia sido encontrado bastante danificado. Ao descer do apartamento para verificar a situação, Júlia teria sido surpreendida pelo ex-namorado.

"Minha filha ligou para ela dizendo que o carro dela estava todo amassado. Quando a Júlia desceu para ver o que tinha acontecido, chegou na escada do condomínio e o cara estava esperando ela. Ele desferiu dois tiros nela".

Essa versão foi relatada pela família e não foi confirmada oficialmente pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Após os disparos, Willian fugiu. Horas depois, apresentou-se espontaneamente à polícia. Antes de se entregar, gravou um vídeo que circula nas redes sociais dizendo: "Tô me entregando aqui, irmão, beleza? Tô me entregando".

Filha de pais baianos, ela morou em Salvador durante parte da adolescência, estudou na capital e tinha viagem marcada para o estado. | Foto: Redes Sociais

Relacionamento acabou após três meses

Ainda de acordo com o avô, Júlia manteve um relacionamento de cerca de três meses com o suspeito.

Luiz Carlos acredita que o homem tinha interesse em obter o green card por meio de um casamento com a jovem, que era cidadã americana. "O interesse dele era ganhar o green card. Como ela era americana, ele queria casar com ela para conseguir a cidadania".

Ainda conforme o avô, ao perceber essa intenção, Júlia decidiu encerrar o relacionamento. "Ela quando percebeu isso, terminou o namoro. Ele deve ter ficado com a ideia de que 'ou vai ficar comigo ou não vai ficar com ninguém'".

O avô afirmou que a neta nunca relatou episódios de violência física durante o namoro. "Nunca falou sobre ter sido agredida. Ficava só forçando a barra, dizendo que ela era a mulher da vida dele, que queria casar".

Júlia havia saído para uma festa em outra cidade da Flórida, acompanhada de amigos, no dia 24. | Foto: Redes Sociais

Investigação

De acordo com o Departamento de Polícia de Fort Myers, agentes foram acionados após relatos de disparos na região da Winkler Avenue. No local, encontraram uma mulher morta com um aparente ferimento provocado por arma de fogo.

As investigações apontaram que vítima e suspeito se conheciam. Willian Rosa do Amaral apresentou-se às autoridades e foi preso por homicídio em segundo grau. O caso segue sob investigação.

O Ministério das Relações Exteriores informou que, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Miami, acompanha o caso e permanece à disposição para prestar assistência consular à família.

Feminicídios na Bahia

Rede de Observatórios da Segurança divulgou, no início de março, a sexta edição do boletim Elas Vivem: a urgência da vida, que reúne dados sobre violência contra mulheres em nove estados brasileiros, entre eles a Bahia.

De acordo com o levantamento, a Bahia registrou 240 casos de violência contra mulheres em 2025, número que representa uma redução de 6,6% em relação ao ano anterior. O estudo também aponta lacunas na identificação das vítimas: em 85% das ocorrências não havia informação sobre raça ou cor.

Nos casos de feminicídio registrados no estado, 72,9% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo o relatório.

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