Usuários de caneta emagrecedora relatam perda súbita de visão, diz estudo
Estudo indica que registros de um tipo raro de perda súbita de visão foram quase cinco vezes mais frequentes entre usuários do Wegovy
Por Bruna Castelo Branco.
Medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes e também para auxiliar na perda de peso, passaram a ser analisados com mais atenção por pesquisadores após relatos de possíveis problemas oculares associados ao uso dessas drogas.
Um novo estudo indica que registros de um tipo raro de perda súbita de visão foram quase cinco vezes mais frequentes entre usuários do Wegovy do que entre usuários do Ozempic.

A pesquisa foi publicada em 10 de março na revista científica British Journal of Ophthalmology e analisou dados de eventos adversos registrados entre 2017 e 2024 na Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.
Esses medicamentos imitam a ação do hormônio GLP-1, que ajuda a controlar o apetite, regula os níveis de glicose no sangue e influencia o processo digestivo. Por esse motivo, têm sido prescritos tanto para pessoas com Diabetes Tipo 2 quanto para quem busca reduzir peso.
Recentemente, autoridades regulatórias na Europa e no Reino Unido também passaram a revisar possíveis efeitos adversos relacionados à visão após o aumento de relatos envolvendo medicamentos à base de semaglutida, como Wegovy, Ozempic e Rybelsus.
Diferenças entre os medicamentos
Para investigar a possível associação, os pesquisadores examinaram registros de Neuropatia Óptica Isquêmica (NOI), condição rara causada pela redução do fluxo sanguíneo no nervo óptico. O problema pode provocar perda súbita da visão e, em alguns casos, deixar sequelas permanentes.
A equipe comparou relatos ligados a diferentes formulações de semaglutida. Os resultados mostraram que a probabilidade de registro da condição associada ao Wegovy foi cerca de 4,7 vezes maior do que no caso do Ozempic. Já o Rybelsus não apresentou relação clara com esse tipo de evento.
Os autores destacam que o banco de dados analisado reúne mais de 30 milhões de registros de eventos adversos. Nesse universo, foram identificados 28 casos associados ao Wegovy e 47 ao Ozempic.
Apesar de o número de relatos envolvendo o Ozempic ser maior, o medicamento está disponível há mais tempo e possui um volume maior de prescrições. Segundo os pesquisadores, mesmo após ajustes para fatores como idade e sexo, o sinal de associação permaneceu mais forte no caso do Wegovy.
O que ainda precisa ser investigado
Os autores ressaltam que os resultados indicam uma associação observada em registros de eventos adversos, e não uma estimativa direta do risco real entre todos os pacientes que utilizam esses medicamentos.
Ainda não está claro por que a condição pode ocorrer em alguns usuários. Uma das hipóteses levantadas pelos cientistas é que doses mais altas do medicamento possam influenciar a pressão arterial e o fluxo sanguíneo no nervo óptico.

“Essas descobertas apontam para uma possível questão de segurança relacionada à dose e indicam a necessidade de estudos prospectivos para orientar decisões clínicas e regulatórias”, afirmam os autores.
Especialistas também ressaltam que novas pesquisas serão importantes para entender melhor os efeitos desses medicamentos sobre a visão, especialmente diante do aumento do número de pessoas que utilizam tratamentos dessa classe.
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