Tuberculose: vulnerabilidade social impulsiona alta de casos no país

Com aumento de 21% nos registros pós-pandemia, a doença atinge majoritariamente homens, pessoas negras e grupos em condições socioeconômicas precárias

Por Liven Paula.

De tempos em tempos, o Brasil registra aumento nos casos de tuberculose. Embora fatores como tabagismo, clima e até predisposição genética possam estar associados à doença, um dos principais aspectos, muitas vezes negligenciado, é a vulnerabilidade social — especialmente as condições socioeconômicas que dificultam o acesso aos cuidados básicos de saúde.

Tuberculose Exige Cuidado Médico © Agecom Bahia

Somente em 2024, foram registrados 84.308 novos casos de tuberculose no país. No período pós-pandemia de covid-19, entre 2020 e 2024, houve um aumento de 21% no número de casos. Desse total, 68,2% ocorreram em pessoas do sexo masculino e 65,8% em pessoas pretas e pardas.

Em relação aos grupos mais vulneráveis, em 2024, 8,1% dos casos foram registrados entre pessoas privadas de liberdade, 3,6% em pessoas em situação de rua, 1,0% em indígenas e 0,6% em imigrantes.

Segundo o médico infectologista e professor Robson Reis, a tuberculose está fortemente associada às condições sociais. “Ela atinge principalmente pessoas em contextos de maior vulnerabilidade, como aquelas com menor nível socioeconômico, que vivem em moradias precárias, em situação de aglomeração, com insegurança alimentar, privadas de liberdade, em situação de rua ou com dificuldade de acesso aos serviços de saúde”, afirmou.

“Essas condições aumentam tanto o risco de contrair a doença quanto a chance de um diagnóstico tardio e até de interrupção do tratamento”, acrescentou o infectologista.

Mas o que é a tuberculose?

O médico explica que a doença é causada por uma bactéria específica e que, como outros agentes infecciosos, pode desenvolver resistência ao tratamento.

“A tuberculose é causada por uma micobactéria chamada Mycobacterium tuberculosis e, assim como outros agentes infecciosos — principalmente bactérias e até mesmo alguns fungos —, ela passa a desenvolver resistência antimicrobiana. Ou seja, o agente cria mecanismos pelos quais as drogas que o tratariam deixam de surtir efeito.”

Ele destaca que esse processo dá origem às formas mais difíceis de tratar. “Isso é o que chamamos de tuberculose resistente. Hoje, já temos casos de tuberculose multidrogarresistente ou até mesmo extremamente multidrogarresistente.”

Segundo o especialista, o avanço desses casos exige atenção, pois compromete a eficácia do tratamento: “Se prescrevemos um tratamento para um paciente que tem uma micobactéria resistente, o medicamento não fará efeito. O paciente continuará a transmitir a bactéria e a doença irá evoluir.”

Apesar da gravidade, o diagnóstico precoce é a melhor solução, mas o preconceito ainda é um obstáculo. “Infelizmente, o estigma faz muitas pessoas esconderem os sintomas e adiarem a procura por atendimento. Isso dificulta o diagnóstico, a adesão e facilita o abandono do tratamento.”

Sintomas

Os principais sinais são tosse persistente, febre ao final da tarde e perda de peso. Também podem surgir falta de ar, fraqueza, falta de apetite e dores torácicas devido à tosse intensa, mas esses sintomas costumam ser ignorados por serem comuns a outras enfermidades.

Transmissão

A transmissão ocorre principalmente pelo ar, o que facilita a disseminação em ambientes fechados e com pouca ventilação. Em pessoas com o sistema imunológico comprometido, o risco de desenvolver a forma ativa da doença é maior.

Brasil tem rede preparada para enfrentar a doença

O diagnóstico envolve avaliação clínica e exames específicos. “Ele é feito através da história do paciente, exame físico e exames radiológicos, como raio-X ou tomografia de tórax”, explica Reis. “Também são realizados exames laboratoriais, como a análise do escarro (baciloscopia), testes rápidos moleculares e cultura, que ajudam a identificar a bactéria e possíveis resistências.”

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