Tomar remédio de verme todo ano é necessário? Especialistas explicam uso
A necessidade de tomar remédio de verme regularmente depende, principalmente, do ambiente em que a pessoa vive
Por Bruna Castelo Branco.
Tomar remédio de verme todo ano é necessário? A necessidade de consumir vermífugo regularmente depende, principalmente, do ambiente em que a pessoa vive. Segundo o médico e pesquisador Alexandre Marra, do Hospital Israelita Albert Einstein, a recomendação varia conforme o risco de exposição a parasitas.
Em regiões onde a infecção por vermes é frequente, a prescrição de uma ou duas desparasitações por ano costuma ser indicada para crianças. Já para adultos ou pessoas que vivem em locais com boas condições de saneamento básico, não existe uma regra universal para o uso periódico desses medicamentos.

Estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas no mundo sejam afetadas por helmintos transmitidos pelo solo. Os casos são mais comuns em áreas com pobreza, saneamento precário e acesso limitado à água potável.
Entre os principais parasitas estão os chamados “vermes do solo”, como ancilóstomo, lombriga e tricocéfalo. Eles vivem no intestino humano e se alimentam de nutrientes do organismo.
Recomendações para crianças
Em áreas com alta prevalência de infecção, a desparasitação preventiva faz parte de estratégias de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a administração anual — ou semestral, quando a prevalência ultrapassa 50% — de uma dose única de albendazol ou mebendazol para crianças entre 12 meses e 12 anos.
O objetivo é reduzir a carga de infecção em populações de risco. Infecções repetidas na infância podem prejudicar o estado nutricional, o desempenho escolar e o desenvolvimento físico e cognitivo.
Para crianças menores de dois anos, a dose deve ser ajustada. Muitas vezes, a medicação é distribuída em campanhas realizadas em escolas e unidades básicas de saúde.

Uso entre adultos
Entre adultos, não existe recomendação universal para o uso anual de vermífugo. A indicação depende de fatores como local de residência, condições de saneamento, hábitos de higiene, presença de sintomas e diagnóstico confirmado por exame de fezes.
Em regiões com infraestrutura sanitária adequada, água tratada e baixa taxa de infecção, o tratamento costuma ser individualizado. Especialistas alertam que o uso indiscriminado de medicamentos pode ser desnecessário e até prejudicial.
Por outro lado, pessoas que vivem em áreas com maior exposição ao solo contaminado, como trabalhadores rurais ou moradores de regiões com saneamento precário, podem se beneficiar de esquemas periódicos sob orientação médica.
Transmissão de verme
A transmissão acontece quando ovos de parasitas presentes nas fezes humanas contaminam o solo. Em locais sem coleta e tratamento adequados de esgoto, esses ovos podem chegar à água, aos alimentos ou às mãos.
A infecção ocorre principalmente por:
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Consumo de água contaminada;
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Ingestão de frutas e verduras mal higienizadas;
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Falta de higiene das mãos;
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Contato com solo contaminado, especialmente ao andar descalço.

Sintomas mais comuns
Em muitos casos, a infecção pode permanecer assintomática por anos. Quando surgem, os sintomas variam conforme o tipo de parasita e a intensidade da infecção.
Entre os sinais mais frequentes estão:
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Dor abdominal;
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Diarreia;
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Náusea;
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Perda de peso;
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Falta de apetite;
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Anemia;
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Cansaço;
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Tosse e chiado.
Prevenção
Especialistas destacam que o uso de vermífugos não substitui medidas básicas de higiene e saneamento.
As principais formas de prevenção incluem:
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Lavar as mãos antes das refeições e após usar o banheiro;
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Beber água tratada;
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Higienizar frutas e verduras com água potável;
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Manter unhas curtas e limpas;
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Usar calçados ao caminhar em solo possivelmente contaminado;
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Utilizar banheiros com condições sanitárias adequadas.
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