Nobel de Medicina: optogenética abre caminho para recuperar visão e tratar doenças do cérebro
Descoberta que rendeu o Nobel de Medicina de 2026 permite controlar células nervosas com luz e já é estudada para restaurar a visão e aprimorar tratamentos neurológicos
Por Dinaldo dos Santos.
A optogenética, técnica que permite controlar células nervosas com estímulos de luz, pode ajudar a humanidade a avançar no tratamento de doenças neurológicas e até na recuperação de sentidos perdidos. A descoberta rendeu, nesta segunda-feira (5), o Prêmio Nobel de Medicina de 2026 ao norte-americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel.

A tecnologia permite ativar ou desativar a atividade de células nervosas específicas em um cérebro vivo. Segundo a Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia, o método já é utilizado em laboratórios de diferentes países para investigar o funcionamento do cérebro e desenvolver novas possibilidades terapêuticas.
Optogenética já é estudada para recuperar a visão
Um dos resultados mais promissores da optogenética está relacionado à recuperação da visão. Em ensaios clínicos, pesquisadores estão utilizando a técnica para tentar restaurar a capacidade visual de pessoas que ficaram cegas em razão da retinite pigmentosa, uma doença que provoca a degeneração das células da retina.
O procedimento envolve a introdução de uma proteína sensível à luz na retina. A estratégia busca fazer com que células que perderam sua função possam voltar a responder a estímulos luminosos e transmitir informações ao sistema nervoso.
Os pesquisadores também investigam a possibilidade de utilizar a optogenética para aperfeiçoar implantes cocleares. A expectativa é que a tecnologia permita estimular o nervo auditivo de maneira mais precisa do que os dispositivos elétricos utilizados atualmente, o que poderia representar um avanço no tratamento de determinados tipos de perda auditiva.
Como funciona a descoberta
As pesquisas que deram origem à técnica começaram na década de 1990, quando Peter Hegemann investigava a maneira como a alga Chlamydomonas respondia à luz em intervalos de poucos milissegundos.
Hegemann levantou a hipótese de que uma proteína seria responsável por captar a luz e funcionar como um canal para íons. Georg Nagel testou a ideia ao introduzir genes da alga em óvulos de rã e identificou a canalrodopsina-2, um canal iônico que se abre quando recebe luz.
Em 2003, os pesquisadores demonstraram que a proteína poderia ser introduzida em células humanas e de hamsters para produzir impulsos elétricos por meio da luz.
Dois anos depois, Karl Deisseroth, da Universidade Stanford, aplicou a técnica em células nervosas de ratos. Em 2006, o método passou a ser conhecido como optogenética.
A tecnologia permitiu aos cientistas controlar com maior precisão a atividade de neurônios individuais e, com isso, estudar de maneira mais detalhada os circuitos responsáveis por funções como movimento, percepção e comportamento.

Nobel de Medicina reconhece avanço no estudo do cérebro
A Assembleia Nobel do Instituto Karolinska concedeu o prêmio aos três pesquisadores por suas descobertas relacionadas aos canais iônicos ativados pela luz e à optogenética.
Para Thomas Perlmann, secretário-geral da Assembleia Nobel, a técnica tornou possível ativar ou desativar células nervosas individuais em um cérebro vivo e se transformou em uma ferramenta utilizada por pesquisadores em todo o mundo.
Deisseroth, de 54 anos, Hegemann, de 71, e Nagel, de 73, dividirão o prêmio de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão.
Segundo Perlmann, os três pesquisadores receberam a notícia com surpresa e entusiasmo e destacaram a importância de dividir o reconhecimento com os demais laureados.
LEIA MAIS: Mega-Sena acumula R$ 92 milhões; valor equivale a 184 carros de luxo
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
