Não foi pontual: nova denúncia aponta que erros na Clivan acontecem desde 2025
Clínica foi interditada após denúncias no mutirão do dia 26 de fevereiro, mas apuração do Aratu On indica que não foi pontual: nova denúncia aponta que erros na Clivan acontecem desde 2025
Por, Dinaldo dos Santos e João Tramm.
A crise envolvendo a clínica Clivan, em Salvador, pode não estar restrita aos casos mais recentes. Não foi pontual: nova denúncia aponta que erros na Clivan acontecem desde 2025. Segundo informou ao Aratu On, Edna Maria indica que problemas nas cirurgias de catarata realizadas na unidade já vinham sendo registrados desde janeiro de 2025.
Atualmente, ao menos nove pessoas perderam a visão de um dos olhos após participarem de um mutirão de cirurgias de catarata realizado na clínica. Segundo informações apuradas pelos órgãos de saúde, das 26 pessoas operadas no dia 26 de fevereiro, na mesma sala cirúrgica, apenas uma não apresentou complicações.
A unidade chegou a ser interditada após as denúncias, e dados preliminares apontam que mais de 30 pacientes relataram problemas no pós-operatório. A Polícia Civil segue investigando o caso.

Não foi pontual: nova denúncia aponta que erros na Clivan acontecem desde 2025
Meses antes da repercussão atual, a aposentada Edna Maria de Souza, de 72 anos, já havia procurado a Delegacia do Idoso para denunciar complicações após uma cirurgia de catarata realizada na mesma clínica.
Ela afirma que foi operada no dia 31 de janeiro de 2025, pelo SUS, também em regime de mutirão. Segundo o relato, só percebeu que se tratava de um atendimento coletivo ao chegar ao local.
“A sala estava um absurdo de pessoas”, afirmou em entrevista concedida no ano passado. “O banheiro estava aquela situação, muito sujo o chão.”
Edna contou que ficou apreensiva com a dinâmica dos atendimentos. “Ele saía de um, empurrava a cadeira pro outro lado e fazia a outra cirurgia”, disse, ao descrever o que viu na sala.
O resultado, segundo ela, foi imediato e devastador: “Entrei enxergando e saí sem enxergar nada.”
Ela afirma que já deixou a sala com dores intensas. “Eu já saí com dores no olho, falei que eu não estava enxergando nada.”
Posteriormente, foi diagnosticada com infecção. “Ele disse que o olho tava com muita bactéria e que precisava ser removida”, contou, ao relatar a explicação recebida após o agravamento do quadro.
Edna passou por aplicação de injeção intraocular e, depois, por cirurgia de retina. Até hoje convive com sequelas. “Tem uma nuvem dentro do meu olho, como se fosse um vagalume passando de um lado pro outro”, descreveu. “Meu olho não quer abrir todo como abria antes e eu não enxergo direito.”
Ela registrou boletim de ocorrência e afirma ter apresentado o nome dos profissionais envolvidos às autoridades.
Especialistas ressaltam que a cirurgia de catarata é considerada segura quando realizada em ambiente adequado, com protocolos rigorosos. No entanto, infecções oculares podem evoluir rapidamente e causar danos permanentes à visão.
A catarata é caracterizada pela opacidade do cristalino, a lente natural do olho responsável por focar as imagens. Segundo a médica, a forma mais comum é a chamada catarata senil, associada ao envelhecimento. Caso do presidente Lula, que passou por correção de catarata neste ano.

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