Hospital de Feira de Santana vira alvo de novos relatos de negligência após morte de recém-nascido
Familiares denunciam suposta falta de atendimento médico e demora na realização de partos no Hospital da Mulher; Fundação Hospitalar abriu sindicância para apurar a morte de uma bebê
Por Victor Hernandes.
O Hospital Municipal Inácia Pinto dos Santos, conhecido como Hospital da Mulher, em Feira de Santana, a cerca de 115 quilômetros de Salvador, voltou a ser alvo de denúncias de possíveis negligências médicas após a morte de uma recém-nascida na última terça-feira (13).

Após a repercussão do caso, novos relatos de familiares apontaram supostas falhas na assistência a gestantes e mortes de bebês na unidade de saúde. As denúncias ainda precisam ser apuradas pelas autoridades responsáveis.
Um vídeo exibido pelo programa Aratu Notícias, da TV Aratu, na noite desta sexta-feira (16), mostra uma mulher que se identifica como avó de um bebê relatando que o neto teria morrido antes do nascimento por falta de médico para realizar o parto.
Nas imagens, a mulher aparece na recepção do hospital, emocionada, e afirma que a filha sentia fortes dores enquanto aguardava atendimento.
“Meu neto estava vivo aí dentro do hospital. Estava com quatro quilos o menino, mas morreu por conta falta de médico. Não tem médico e tiraram a vida do meu neto. Minha filha gritando de dor e a médica lá dentro. Falta de consideração com uma mãe, cadê a diretora daqui?”, declarou.
Até o momento, não há informações sobre a abertura de uma investigação específica para apurar esse novo relato.
Hospital da Mulher é alvo de sindicância após morte de recém-nascida
A nova denúncia ocorre após a morte de uma bebê durante o parto no Hospital da Mulher. O caso levou a Fundação Hospitalar de Feira de Santana (FHFS) a instaurar uma sindicância para apurar as circunstâncias do atendimento prestado à gestante Elis Lane Nere Bastos Souza.
Segundo familiares, Elis estava com 39 semanas de gestação quando deu entrada na unidade, por volta das 16h de terça-feira (13). Inicialmente, os batimentos cardíacos da bebê teriam sido identificados, mas deixaram de ser localizados por volta das 20h.
Após um exame de ultrassom, a família afirma que foi indicada uma cesariana de urgência. Os parentes relatam, porém, que a gestante passou a madrugada com fortes dores e que o procedimento só ocorreu por volta das 6h30 de quarta-feira (14), quando a criança foi retirada sem vida.
A família questiona a demora para a realização do parto e aponta divergências entre a explicação que teria sido dada pelo médico e a causa registrada na declaração de óbito.
Família questiona causa da morte da bebê
De acordo com a avó da criança, o médico identificado como Ozael da Costa Ferreira teria atribuído a morte à aspiração de mecônio, substância correspondente às primeiras fezes do recém-nascido. No entanto, segundo a familiar, a declaração de óbito registrou causa desconhecida.
“Ele escreveu algo que não foi o que ele me falou. Por que ele me explicou que a menina veio a óbito por ter engolido mecônio?”, questionou.
O mecônio pode ser eliminado ainda durante a gestação ou no momento do parto. Quando aspirado pelo bebê, pode atingir as vias respiratórias e provocar complicações, como a síndrome de aspiração meconial. As informações disponíveis, porém, não permitem confirmar a causa da morte da criança.
A avó também relatou ter tomado conhecimento de outras duas mortes no necrotério da maternidade que, segundo ela, teriam sido atribuídas à aspiração de mecônio. Até o momento, não há confirmação oficial de que os casos tenham relação entre si.
Fundação Hospitalar investiga atendimento no hospital
Em nota, a Fundação Hospitalar de Feira de Santana lamentou a morte da bebê e informou que adotará as medidas necessárias para esclarecer os fatos. Até a publicação das informações fornecidas, a direção do hospital não havia divulgado detalhes adicionais sobre a sindicância.
A reportagem também procurou o Hospital Municipal Inácia Pinto dos Santos e a Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana para solicitar esclarecimentos sobre as novas denúncias. Até o momento, não houve retorno adicional. O espaço permanece aberto para manifestações.

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