Entenda a doença de Creutzfeldt-Jakob, condição rara que afetou Lito Sousa
Doença de Creutzfeldt-Jakob provoca rápida deterioração neurológica e ainda não tem tratamento capaz de interromper sua evolução
Por Dinaldo dos Santos.
O influenciador de aviação Lito Sousa, conhecido pelo canal “Aviões e Músicas”, morreu aos 59 anos nesta quarta-feira (1º). Ele havia sido diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurológica rara, progressiva e fatal. A condição provoca uma rápida deterioração das funções do cérebro e, até o momento, não possui tratamento capaz de interromper sua evolução.

Segundo informações divulgadas sobre o caso, Lito também havia recebido anteriormente o diagnóstico de câncer de próstata. Em julho, ele chegou a ser internado para investigar uma inflamação no sistema nervoso central. Posteriormente, a família informou que os exames haviam confirmado a DCJ.
Doença de Creutzfeldt-Jakob afeta o cérebro
De acordo com o Ministério da Saúde, a doença de Creutzfeldt-Jakob pertence ao grupo das doenças priônicas. Ela ocorre quando uma proteína chamada príon assume uma forma anormal e passa a provocar danos progressivos às células do sistema nervoso.
A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) também explica que a DCJ é uma doença neurodegenerativa causada por uma forma patogênica da proteína priônica. Segundo o neurologista Adalberto Studart Neto, vice-coordenador do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva da entidade, a alteração da proteína desencadeia um processo de neurodegeneração de rápida progressão.
A doença é considerada rara. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2005 e 2021, foram registradas 1.576 notificações de casos suspeitos no Brasil. A maior parte das notificações ocorreu entre pessoas de 55 a 74 anos.
Quais são os sintomas da doença de Creutzfeldt-Jakob?
Os primeiros sinais podem variar, mas a doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar alterações cognitivas, perda de memória, tremores, dificuldades de coordenação motora e alterações comportamentais.
Com a progressão do quadro, também podem surgir dificuldade para caminhar, problemas de fala, movimentos involuntários, alterações visuais, espasmos musculares e perda progressiva das capacidades motoras e cognitivas.
O Ministério da Saúde ressalta que os sintomas podem se assemelhar aos de outras doenças neurológicas, o que torna a investigação diagnóstica complexa. Por isso, a avaliação médica precisa considerar outras possíveis causas para o quadro apresentado pelo paciente.
Como é feito o diagnóstico?
Não existe um único exame simples capaz de confirmar imediatamente a doença. Segundo o Ministério da Saúde, a investigação pode envolver exames como ressonância magnética, eletroencefalograma, tomografia computadorizada e análise do líquido cefalorraquidiano, além de testes genéticos em situações específicas.
A Academia Americana de Neurologia também destaca que o diagnóstico da DCJ pode ser difícil porque outras enfermidades podem produzir sintomas semelhantes.
A confirmação definitiva, segundo o Ministério da Saúde, é feita por meio da análise neuropatológica do tecido cerebral, geralmente após a morte. A necropsia é considerada o padrão-ouro para a confirmação diagnóstica.

Existe tratamento para a doença?
Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a evolução da doença de Creutzfeldt-Jakob.
De acordo com o Ministério da Saúde, diferentes propostas terapêuticas já foram estudadas, mas nenhuma demonstrou eficácia para modificar o curso fatal da enfermidade. O atendimento é voltado principalmente ao controle dos sintomas, das complicações e às necessidades físicas e nutricionais do paciente, além do suporte à família.
A evolução costuma ser rápida. O Ministério da Saúde informa que aproximadamente 90% das pessoas acometidas pela DCJ evoluem para óbito em até um ano.
A doença é contagiosa?
A forma mais comum da DCJ, chamada esporádica, não é transmitida pelo contato social cotidiano.
O Ministério da Saúde afirma que não há evidências de transmissão por abraço, beijo, relações sexuais, compartilhamento de copos ou utensílios domésticos e outras formas de contato casual. Por isso, a convivência diária com uma pessoa diagnosticada não representa, por si só, risco aumentado para familiares ou pessoas próximas.
Existem, entretanto, formas específicas e muito raras da doença associadas a fatores genéticos ou à exposição acidental a tecidos ou materiais contaminados em determinados procedimentos médicos. Essas situações são diferentes da forma esporádica, que representa a maioria dos casos.
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