Doulas têm profissão regulamentada no Brasil; entenda o que fazem
Em entrevista, a doula Natiele Miranda destaca que a regulamentação fortalece a atuação e amplia a segurança das gestantes
Por Liven Paula.
A sanção do Projeto de Lei 3946/2021 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva marca um avanço significativo na assistência à saúde materna no Brasil. Desde a última quarta-feira (8), o exercício da profissão de doula passou a ser livre em todo o território nacional, reconhecendo oficialmente o trabalho de mais de três mil profissionais, segundo a Federação Nacional de Doulas do Brasil.
As doulas atuam oferecendo suporte físico, emocional e informativo às gestantes, contribuindo para experiências mais seguras e acolhedoras e fortalecendo a humanização do Sistema Único de Saúde.
No Brasil, a profissão já havia sido reconhecida desde 2013 pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), mas a regulamentação nacional traz agora mais clareza e segurança para a atuação dessas profissionais.

Para a doula Natiele Miranda, a regulamentação representa uma vitória construída ao longo de anos. “Para nós doulas, a regulamentação da profissão no Brasil é muito importante, é um marco importante porque é uma luta de anos. E agora chegou, dia 8 de abril, a vitória. Isso traz mais reconhecimento, segurança e respeito para quem trabalha na área”, afirma.
Segundo ela, a nova lei também ajuda a reduzir conflitos dentro das equipes de saúde, ao esclarecer o papel das doulas. “Na prática isso ajuda a deixar mais claro qual é o nosso papel dentro da equipe e evita muitos conflitos que antes aconteciam por falta de informação”, explica.
A atuação da doula é complementar à equipe médica e não substitui outros profissionais da assistência obstétrica. Entre suas funções estão o alívio da dor por meio de técnicas como massagens e respiração, o acolhimento emocional e o apoio informativo, ajudando a gestante a tomar decisões conscientes sobre seu corpo e seu parto.
Natiele destaca ainda o impacto da presença da doula na prevenção da violência obstétrica. “Quando a mulher está bem informada e acompanhada, fica mais difícil que abusos aconteçam sem questionamento. A presença da doula inibe práticas de violência”, afirma.
Apesar dos avanços, ela relata que a falta de informação ainda gera dificuldades no cotidiano. “Já enfrentei muitas situações em que a equipe hospitalar não sabia o que era uma doula. Isso dificultava nossa atuação. Agora, com a lei, temos mais respaldo, mas ainda há um caminho pela frente”, diz.
Outro ponto fundamental do trabalho das doulas é a educação perinatal, realizada ao longo de toda a gestação. “O parto é o ápice, mas o que faz diferença é a preparação. A gente orienta sobre direitos, plano de parto, fases do trabalho de parto e também sobre violência obstétrica. O dia do parto é o resultado de tudo isso”, explica Natiele.
Ela ressalta que o papel da doula é oferecer suporte em um momento de grande intensidade emocional. “Estamos ali como uma acalmaria, oferecendo suporte físico, emocional e informativo para que o casal viva uma experiência positiva e não traumática”, conclui.

Leia mais: Estado e clínica devem pagar tratamento de idosa que ficou cega em mutirão na Bahia
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).