Dia de conscientização do HPV: saiba sobre transmissão, vacinação e mitos

Especialistas orientam sobre a transmissão, vacinação e desmentem mitos relacionados a IST no Dia Internacional da Conscientização sobre o HPV; confira

Por Laraelen Oliveira.

No Dia Internacional da Conscientização sobre o HPV, celebrado em 4 de março, especialistas reforçam a importância da vacinação e da prevenção para reduzir os casos de infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) e os cânceres relacionados ao vírus na Bahia. Apesar da oferta gratuita da vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a cobertura vacinal ainda está abaixo do ideal em Salvador.

Estima-se que cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da vida. Na maioria dos casos, o próprio organismo elimina o vírus espontaneamente, sem sintomas/Foto: Reprodução 

De acordo com Taciana Matos, subcoordenadora de Imunização da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a cobertura atual da vacina contra o HPV na capital baiana é de 57,3%. “O dado evidencia a não adesão do público-alvo elegível para o imunobiológico, mesmo diante da realização de várias campanhas educativas pela Secretaria de Saúde do Município”, afirma.

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O que é o HPV e como é transmitido?

O HPV é uma infecção sexualmente transmissível bastante comum. Segundo a ginecologista Sofia Andrade, o vírus é o principal causador do câncer de colo do útero e também está associado ao surgimento de condilomas, conhecidas como verrugas genitais.

“A infecção por HPV é transmitida principalmente por via sexual. É o vírus causador do câncer de colo de útero e também dos condilomas, aquelas verruguinhas que podem surgir na região da vulva e na glande peniana”, explica.

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Nem todos os tipos causam câncer. Alguns estão associados apenas a verrugas genitais, enquanto outros, chamados de “alto risco”, estão ligados ao desenvolvimento de tumores/Foto: Freepik 

Embora muitas pessoas associem o HPV apenas ao câncer de colo do útero, o vírus também pode provocar outros tipos de câncer. Além do colo do útero, estão relacionados ao HPV os cânceres de pênis, ânus, vagina, vulva e orofaringe (garganta). Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o câncer do colo do útero está entre os mais incidentes entre mulheres no Brasil, sendo o HPV responsável pela quase totalidade dos casos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a vacinação contra o HPV é uma das principais estratégias para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública nas próximas décadas.

Quem pode se vacinar pelo SUS?

A vacina contra o HPV é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e indicada para:

  • Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
  • Adolescentes de 15 a 19 anos, 11 meses e 29 dias sem histórico vacinal (estratégia de resgate válida até junho de 2026, com dose única da vacina HPV4);

Grupos prioritários especiais, mediante comprovação médica, como:

  • Imunodeprimidos de 9 a 45 anos;
  • Pessoas com Papilomatose Respiratória Recorrente (CID B97.7);
  • Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV/Aids, de 15 a 45 anos (CID Z20.6);
  • Vítimas de abuso sexual, homens e mulheres, de 9 a 45 anos.

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Segundo Taciana Matos, a vacinação antes do início da vida sexual é fundamental. “Assim, o adolescente estará protegido quando houver o risco real de exposição ao vírus. A vacina é mais eficaz quando administrada antes do contato com o HPV”, explica.

Estudos em países como a Austrália mostram queda significativa nas lesões pré-cancerígenas após campanhas amplas de vacinação contra o HPV/Foto: Reprodução 

A ginecologista Sofia Andrade reforça que a imunização também é eficaz para quem já iniciou a vida sexual. “Mesmo que a pessoa já tenha tido contato com algum tipo de HPV, a vacina protege contra outros subtipos, especialmente os mais associados ao câncer”, afirma.

No SUS, está disponível a vacina quadrivalente (HPV4), que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, sendo os dois últimos responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo do útero.

Mitos, desinformação e baixa adesão

Apesar da segurança e eficácia comprovadas, a vacina contra o HPV ainda enfrenta resistência. Entre os principais entraves estão a desinformação e o tabu em torno da vacinação de crianças e adolescentes.

“Muitos pais relutam em vacinar seus filhos por acreditarem, de forma equivocada, que isso estimularia o início da atividade sexual”, explica Taciana Matos. Outro fator é que a faixa etária de 9 a 14 anos costuma frequentar pouco as unidades de saúde.

A infecção pode não apresentar sintomas imediatos. O vírus pode ficar latente no organismo e se manifestar anos depois/Foto: Reprodução

Para ampliar o acesso, a SMS realiza ações de vacinação em escolas e faculdades, além de campanhas em mídias sociais, televisão e outdoors. No entanto, segundo a subcoordenadora, ainda há baixa adesão na autorização dos pais para vacinação no ambiente escolar.

A Prefeitura de Salvador também tem reforçado a importância da imunização em campanhas institucionais, alertando que a vacina é um cuidado que pode durar a vida toda e proteger contra um vírus que pode causar câncer.

 

 

 

Outras formas de prevenção

Além da vacinação, especialistas destacam que o uso de preservativo é uma medida importante para reduzir o risco de transmissão, embora não ofereça proteção total, já que o HPV pode ser transmitido por contato com áreas não cobertas pela camisinha.

Outra medida essencial é a realização periódica do exame preventivo. “O Papanicolau, ou citologia oncótica, permite identificar alterações nas células do colo do útero antes que evoluam para câncer. Mesmo mulheres vacinadas devem manter o acompanhamento regular”, orienta Sofia Andrade.

Segundo a médica, o teste molecular para detecção do HPV vem sendo incorporado gradualmente como alternativa mais sensível para identificar a presença do vírus.

Onde se vacinar em Salvador e na Bahia?

Em Salvador, a vacina contra o HPV está disponível nas 162 salas de vacinação da rede municipal de saúde. As doses são ofertadas gratuitamente pelo SUS.

No interior da Bahia, a vacinação ocorre nas unidades básicas de saúde de cada município, conforme as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.

A vacinação previne os principais tipos oncogênicos, mas o acompanhamento ginecológico continua essencial para diagnóstico precoce/Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A recomendação das autoridades sanitárias é clara, pais e responsáveis devem procurar a unidade de saúde mais próxima para garantir a imunização de crianças e adolescentes dentro da faixa etária indicada.

No Dia Internacional da Conscientização sobre o HPV, o alerta é reforçado: a informação e a vacinação são as principais aliadas na redução dos casos de infecção e na prevenção de cânceres relacionados ao vírus.

Saúde auditiva exige prevenção constante, alerta especialista

A exposição frequente a sons em volume elevado, o uso prolongado de fones de ouvido e a ausência de acompanhamento médico estão entre os principais fatores que contribuem para a perda auditiva. Embora muitas pessoas associem o problema apenas ao envelhecimento, especialistas destacam que ele pode surgir em qualquer fase da vida. 

Em entrevista ao Aratu On, a médica otorrinolaringologista Erica Campos reforça que cuidar da saúde auditiva é fundamental para preservar a qualidade de vida. Segundo ela, medidas simples de prevenção e a realização de exames periódicos podem evitar danos permanentes à audição.

SUS passa a oferecer teleatendimento para tratamento do vício em apostas

O Ministério da Saúde anunciou que o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a disponibilizar teleatendimento em saúde mental voltado a pessoas com transtornos relacionados a jogos de apostas. O serviço foi apresentado pelo ministro Alexandre Padilha durante uma simulação realizada no Hospital Sírio-Libanês.

O SUS passou a ofertar atendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas/Foto: Ilustrativa/Pexels

Na Bahia, o impacto das apostas virtuais já se reflete nos números da assistência pública. Dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) indicam que os atendimentos relacionados ao vício em jogos na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) cresceram 142,86% entre 2023 e 2024, evidenciando o avanço do problema e a necessidade de ampliação do suporte especializado.

Bahia inicia distribuição de vacina nacional de dose única contra a dengue

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia começou a distribuir o primeiro lote da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante será encaminhado aos 417 municípios baianos.

Nesta etapa inicial, o estado recebeu cerca de 40 mil doses. O principal diferencial da vacina é a aplicação em dose única, o que facilita a logística de distribuição e permite uma resposta mais rápida na imunização da população contra a doença

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