Anvisa cria grupo para avaliar segurança da vacina contra dengue
Medida busca aprofundar investigação de eventos adversos e reforçar análise sobre riscos e benefícios da vacina contra dengue
Por Ananda Costa.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) instituiu, nesta terça-feira (16), um Grupo de Trabalho para coordenar e apoiar a atuação de um Painel de Especialistas responsável por avaliar a segurança da vacina contra a dengue Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A medida foi oficializada por meio da Portaria nº 715/2026 e tem como objetivo aprofundar a investigação epidemiológica de possíveis eventos adversos relacionados ao imunizante. A iniciativa também pretende fornecer subsídios técnicos para a análise do perfil de benefício-risco da vacina, com base em evidências científicas atualizadas.
De acordo com a Anvisa, o Grupo de Trabalho será encarregado de apoiar a avaliação de dados clínicos, epidemiológicos e de farmacovigilância, além de estruturar as atividades do Painel de Especialistas. O colegiado terá caráter consultivo e contará com profissionais externos reconhecidos por sua experiência na área.
Entre as atribuições do grupo estão a organização de debates técnicos, a consolidação de informações científicas e a elaboração de documentos que possam auxiliar futuras decisões regulatórias relacionadas à vacina.
A criação do grupo faz parte das ações adotadas pela Anvisa para fortalecer a transparência e o rigor técnico na análise de vacinas. O trabalho será realizado em articulação com o Ministério da Saúde e com o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
A agência destacou ainda que o monitoramento contínuo da segurança dos imunizantes é uma etapa fundamental para garantir a proteção da população e manter a confiança nas políticas públicas de vacinação.
Vacina contra a dengue do Butantan

Em maio deste ano, o Instituto Butantan iniciou o recrutamento de voluntários na Bahia para testes de uma nova vacina contra a gripe. Em Salvador, os estudos são realizados nas Obras Sociais Irmã Dulce e têm como público-alvo pessoas com 60 anos ou mais.
Até o momento, não há informações sobre a participação de voluntários baianos entre os casos investigados.
Um dos episódios analisados envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo choque, exigindo internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após tratamento, ela recebeu alta hospitalar.
Já um dos casos de morte sob investigação ocorreu com um homem de 58 anos. Segundo o relato, cinco dias após a imunização ele desenvolveu febre e apresentou rápida evolução para um quadro compatível com dengue grave, acompanhado de choque refratário. Apesar do atendimento médico, o paciente não resistiu.
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