AMB se opõe à resolução que autoriza enfermeiros prescrever antibióticos

Conselho Federal de Enfermagem autoriza enfermeiros a prescrever antibióticos a pacientes

Por Da redação.

Fonte: Com informações do SBT News

A Associação Médica Brasileira (AMB) emitiu nota na qual manifesta contrariedade à liberação da prescrição de antibióticos por profissionais sem formação médica e declarou apoio ao  Conselho Federal de Medicina (CFM). A decisão ocorre após o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) ter publicado na quinta-feira (22) uma resolução que autoriza a prescrição de antibióticos por enfermeiros. O documento está no Diário Oficial da União (DOU).

Antibióticos Vão Poder Ser Prescritos Por Enfermeiros  Foto Freepik

"A prescrição de antimicrobianos envolve diagnóstico clínico, avaliação de riscos, definição de dose, via e duração do tratamento — competências que exigem formação médica aprofundada. A ampliação indevida da prescrição representa grave ameaça à segurança do paciente e um retrocesso no combate à resistência antimicrobiana, um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. Flexibilizar atos prescritivos como esse não resolve problemas estruturais do sistema de saúde e expõe a população a riscos evitáveis. Aos enfermeiros cabe a disponibilização de medicamentos em programas públicos e rotinas institucionais após diagnóstico médico, conforme protocolos já estabelecidos", diz nota da AMB.

O que diz a resolução

Na resolução que tem gerado o debate na área médica, o Cofen apresentou uma lista atualizada de medicamentos que podem ser prescritos pelos profissionais da enfermagem. Dentre eles, quatro antibióticos: amoxicilina, ampicilina, azitromicina e eritromicina. Além dos medicamentos presentes na lista, o Cofen destaca que o rol de remédios pode ser ampliado, observando as políticas públicas de saúde e as necessidades epidemiológicas locais.

"A ampliação pelos serviços de saúde deverá estar fundamentada em evidências científicas e formalmente incorporada a protocolos ou rotinas institucionais aprovadas", informou. Ainda segundo o Cofen, "a prescrição medicamentosa deve obedecer rigorosamente aos protocolos institucionais, contemplando o nome do medicamento, sua concentração, forma de apresentação e posologia indicada para o tratamento".

Apesar da justificativa do Cofen para o novo cenário, que autoriza enfermeiros a prescrever antibióticos a pacientes, a AMB afirma, ainda em nota oficial, que a "ampliação de atribuições clínicas não pode ser tratada como solução simplista para problemas estruturais do sistema de saúde. A falta de médicos em determinadas regiões, a sobrecarga da atenção básica e a fragilidade do financiamento do SUS não se resolvem com a flexibilização desatinada de atos médicos, mas com políticas públicas consistentes de provimento de médicos, infraestrutura adequada e valorização profissional".

Enfermagem É Autorizada a Prescrever Remédios, Inclusive Antibióticos

A AMB concluiu que "seguirá atuando junto às autoridades para garantir que a prescrição de antibióticos permaneça sob responsabilidade médica, em defesa da ciência e da segurança da população".

Entenda cenário que envolve AMB e Cofen

No ano passado, o assunto também foi muito discutido e virou debate entre o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Cofen e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Isso porque houve uma atualização pela Anvisa no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), que passou a incluir o registro profissional de enfermeiros.

O sistema monitora as movimentações de entrada (compras e transferências) e saída (vendas, transformações, transferências e perdas) de medicamentos comercializados em farmácias e drogarias privadas do país.

Com essa atualização, a Anvisa reconhecia o registro de enfermagem na prescrição apenas para monitoramento. A autorização para que enfermeiros pudessem prescrever medicamentos como antibióticos dependia de uma resolução do Cofen, como essa publicada nesta semana.

Prescrição De Medicamentos Por Enfermeiros Envolve Protocolos Institucionais

Na época, o CFM se posicionou contra a atualização, chegando a solicitar à Anvisa a revogação imediata do ato que autorizava a inclusão do enfermeiro como prescritor de antibióticos. Segundo o conselho, a decisão era vista como um "risco à saúde da população". Para o CFM, a prescrição de medicamentos é uma "competência privativa do médico".

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