Presente de Iemanjá representa ancestralidade e destaca imagem do pescador
Neste ano, a responsabilidade da condução do presente de Iemanjá, pela segunda vez, é do Terreiro Olufanjá
Por Dinaldo dos Santos.
Após a entrega do presente a Oxum, que ocorreu, na madrugada deste 2 de fevereiro, no Dique do Tororó, em Salvador, logo mais será o momento de presentear Iemanjá, no bairro do Rio Vermelho. À Rainha do Mar será oferecida uma arte que representa ancestralidade e simboliza a figura do pescador.

Neste ano, a responsabilidade da condução desses presentes, pela segunda vez, é do terreiro Olufanjá. Ogã do templo religioso, Elias Conceição falou sobre a importância das oferendas e destacou a obra de arte, produzida por Sandra Rosa, exposta no carramanchão, no Rio Vermelho.
"Iemanjá não é agradada sem agradar Oxum. Oxum não é agradada sem agradar Iemanjá. Isso é coisa da ancestralidade [...] É coisa da natureza, da sinergia, e nós estamos aqui hoje resguardando e sacralizando, colocando todo o axé nessa produção artística e maravilhosa", comentou.

O sacerdote ressaltou que o presente produzido pela artista é idealizado pelos pescadores, com o alinhamento da Ialorixá responsável, para que a oferta esteja em conformidade com o que o orixá deseja.
"Hoje você tem aí a imagem desse pescador, que é a representação maior, porque Iemanjá é mãe dos pescadores. Se ele não permitir, eles não tem peixe. Então nada melhor do que o próprio filho dizer à mãe: estou aqui, fazendo essa entrega de fé, de corpo, de alma pra que a senhora nos dê vida com saúde, de paz, amor e harmonia.
Festa de Iemanjá
Tombada em 2020 como Patrimônio Cultural de Salvador, a festa é celebrada no Rio Vermelho desde 1924, segundo o Babalorixá Indarê Sá dos Santos, do terreiro do Obatayó, em Cajazeiras. Ele afirma que relatos orais indicam que o culto ocorre desde o século XIX. O historiador Murilo Mello destaca que registros do intelectual Manoel Querino já apontavam, naquele período, grandes concentrações de pessoas para cultuar Iemanjá na capital baiana.
Não há, no entanto, uma versão única sobre o local dos cultos antes da popularização da festa do Rio Vermelho, a principal da capital baiana em homenagem a Yemanjá atualmente.
"Os filhos de santo e os pais de santos cultuavam a Mãe D'Água atrás do Forte São Bartholomeu, atrás da Ponta do Humaitá" , diz Murilo. Com o tempo, segundo o historiador, ganhou força o festejo em homenagem ao orixá no bairro de Itapuã. Já o babalorixá afirma que, em Salvador, as homenagens ao orixá começaram a ser feitas no Dique do Tororó.
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