Dia Contra a Intolerância Religiosa combate ataque a terreiro em Salvador
A data tem como objetivo promover o respeito à diversidade de crenças e reforçar a liberdade religiosa garantida pela Constituição Federal
Por Dinaldo dos Santos.
Nesta quarta-feira, 21 de janeiro, é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, data que chama atenção para episódios de discriminação motivados pela fé — uma realidade ainda presente no país.
Em Salvador, o tema ganha destaque após um caso recente registrado, no último sábado (17), quando o muro de entrada de um terreiro de candomblé localizado no bairro de Cajazeiras XI foi pichado, em mais um ato de desrespeito às religiões de matriz africana.

Instituída em memória da ialorixá Mãe Gilda de Ogum, vítima de perseguição religiosa que morreu em 2000, a data tem como objetivo promover o respeito à diversidade de crenças e reforçar a liberdade religiosa garantida pela Constituição Federal.
Apesar dos avanços legais, episódios como o ocorrido em Cajazeiras XI evidenciam que a intolerância segue sendo um desafio cotidiano, sobretudo para comunidades historicamente alvo de preconceito.
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa também serve como alerta para a necessidade de denúncia e responsabilização desses crimes, além do fortalecimento de políticas públicas de educação e conscientização.
Especialistas e lideranças religiosas destacam que o enfrentamento à intolerância passa pelo reconhecimento da pluralidade cultural e religiosa do Brasil e pela defesa do direito de cada cidadão exercer sua fé sem medo ou violência.
Ataque a terreiro de Salvador
De acordo com o terreiro Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza, as paredes do espaço sagrado foram pichadas com as palavras “Assassinos” e “Jesus”. Em nota, a instituição classificou o ato como racismo religioso e afirmou que a ação representa um ataque à liberdade de crença e ao direito constitucional ao livre exercício religioso.
“Trata-se de um crime motivado por ódio religioso, que reforça estigmas, incita a violência simbólica e perpetua o racismo estrutural historicamente imposto aos nossos povos”, informou.
A comunidade religiosa cobrou a identificação e punição dos responsáveis, além de medidas para garantir a segurança do local.

Outros casos de pichação em Salvador
m maio do ano passado, a Casa de Oxumarê, um dos terreiros mais antigos e significativos do candomblé na Bahia, foi alvo de vandalismo na Avenida Vasco da Gama, em Salvador.
Um membro da Torcida Organizada Bamor (TOB) foi flagrado pichando o muro do terreiro com a sigla da torcida, horas antes do clássico entre Bahia e Vitória, que terminou com vitória do Tricolor na Arena Fonte Nova.
Em vídeo que circula nas redes sociais, o suspeito aparece pichando o muro do terreiro com a sigla TOB. Nas redes sociais, a Casa de Oxumarê pediu por respeito e ética.
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