Tarifaço não deve encarecer alimentos, diz superintendente da ABASE
Especialista afirma que a produção nacional protege os supermercados brasileiros e o tarifaço não deve encarecer alimentos
Por João Tramm.
O tarifaço não deve encarecer alimentos no Brasil. A avaliação é do superintendente da Associação Baiana de Supermercados (ABASE), Mauro Rocha, que afirmou que as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos não devem provocar aumento nos preços dos produtos vendidos nos supermercados brasileiros. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Linha de Frente, nesta quinta-feira (23).
Segundo Rocha, o setor supermercadista nacional é pouco dependente de produtos importados dos Estados Unidos, o que reduz significativamente os impactos das medidas comerciais adotadas pelo governo norte-americano. "A maioria dos nossos produtos é produzida e consumida aqui no Brasil", destacou.
Relação comercial não interfere: Tarifaço não deve encarecer alimentos
Embora alguns segmentos voltados à exportação tenham demonstrado preocupação, Mauro Rocha explicou que o varejo de alimentos deve permanecer estável. Ele lembrou que, em momentos semelhantes, produtores de frutas do interior da Bahia e do setor cafeeiro chegaram a manifestar receio, mas os efeitos acabaram sendo pontuais.
Para os supermercados baianos, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos interfere muito pouco na formação dos preços pagos pelos consumidores. Apesar de não afetar os valores no supermecardo, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia emitiu uma nota analisando eventuais efeitos da medida anunciada pelo americanos, com destaque para indústria de plástico e químicos.
Setor cresce acima da média nacional
O desempenho do setor supermercadista na Bahia segue acima da média do país. Enquanto o comércio varejista brasileiro avançou 1,7% entre janeiro e maio de 2026, a Bahia registrou crescimento de 2,9% no mesmo período. No acumulado de 12 meses, a expansão chegou a 3,5%, mais que o dobro da média nacional, de 1,4%.
Atualmente, o estado possui cerca de 92 mil estabelecimentos supermercadistas, que movimentam aproximadamente R$ 80 bilhões por ano e geram quase 500 mil empregos diretos e indiretos.
Cabe destacar que a Suprema Corte americana considera ilegal parte do tarifaço imposto ao Brasil.
Juros elevados preocupam o setor
Apesar da tranquilidade em relação ao tarifaço, Mauro Rocha destacou que os principais desafios enfrentados pelo setor estão dentro do próprio país. Segundo ele, a falta de previsibilidade econômica e os juros elevados dificultam novos investimentos.
"Para abrir uma loja são investimentos vultuosos. Há unidades que exigem entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões", afirmou.
Entre os dias 28 e 30 de julho, representantes do setor participam da 15ª edição da Super Bahia, maior feira de varejo de alimentos do Norte e Nordeste, no Centro de Convenções de Salvador. O evento reunirá empresários e especialistas para discutir inovação, gestão e perspectivas para o mercado.

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