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Quem é Mariana? Entenda a relação do nome citado por Janones com o caso das rachadinhas de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro, Queiroz e Mariana Mota: entenda a investigação das rachadinhas

Por Bruna Castelo Branco.

O deputado federal André Janones (Rede-MG) incentivou integrantes do canal de WhatsApp “Exército do Lula” a pesquisar a expressão “Quem é Mariana?”, em uma mobilização que repercutiu nas redes sociais nesta quarta-feira (21). Internautas associaram a pergunta a Mariana Mota, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro (PL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), citada em investigações sobre o suposto esquema de “rachadinhas”.

O nome de Mariana Mota voltou a circular por causa de sua participação no gabinete de Flávio durante o primeiro mandato dele como deputado estadual, entre 2003 e 2007. Na época, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apontou a ex-assessora como uma das pessoas envolvidas no suposto esquema de recolhimento de parte dos salários de servidores.

O nome de Mariana Mota voltou a circular por causa de sua participação no gabinete de Flávio durante o primeiro mandato dele como deputado estadual. | Foto: Redes Sociais

As suspeitas faziam parte da investigação sobre movimentações financeiras de ex-assessores de Flávio. O caso, porém, teve provas e decisões anuladas pela Justiça, e a denúncia não chegou a ser julgada no mérito. Veja publicação:

O que Mariana Mota tem a ver com o caso das rachadinhas?

Segundo informações apresentadas pelo MP-RJ durante a investigação, Mariana recebeu R$ 39,4 mil em 15 transferências feitas por um ex-assessor entre janeiro de 2007 e março de 2008. De acordo com os investigadores, o montante correspondia a 45% do salário do servidor.

Ainda conforme a apuração, depois que Mariana deixou a chefia de gabinete, os repasses teriam passado a ser direcionados à conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio que também foi investigado no caso.

O Ministério Público também apontou supostas ligações entre Mariana e pessoas próximas à família Bolsonaro. Entre os episódios investigados estava o pagamento de despesas de aluguel de Léo Índio, primo de Flávio que trabalhou no gabinete do então deputado estadual.

Mariana também foi descrita nas investigações como próxima de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro (PL) e mãe de Jair Renan Bolsonaro.

As informações integram as suspeitas levantadas pelos investigadores à época e não devem ser tratadas como fatos reconhecidos em uma condenação judicial.

Como surgiu a investigação contra Flávio Bolsonaro?

O caso das rachadinhas ganhou repercussão em 2018, após a divulgação de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentações consideradas atípicas na conta de Fabrício Queiroz.

O documento identificou R$ 1,2 milhão em movimentações financeiras entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, período em que Flávio ocupava uma cadeira na Alerj. Os investigadores passaram a apurar a hipótese de que parte dos salários de assessores era devolvida ao gabinete.

O MP-RJ também investigou possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro, incluindo operações imobiliárias e transações relacionadas a uma loja de chocolates ligada a Flávio em um shopping no Rio de Janeiro.

Em 2020, o Ministério Público denunciou Flávio, Queiroz e outras 15 pessoas por suspeitas de crimes como organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.

Internautas associaram a pergunta a Mariana Mota, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro (PL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). | Foto: Divulgação

Por que o caso foi anulado pela Justiça?

Em fevereiro de 2021, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou decisões que haviam autorizado quebras de sigilo bancário e fiscal no âmbito da investigação. Em novembro do mesmo ano, o colegiado também anulou decisões tomadas pela Justiça de primeira instância, em razão do entendimento de que o caso deveria tramitar no órgão competente para julgar o então senador.

Ainda em novembro de 2021, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou ilegais quatro dos cinco relatórios de inteligência financeira do Coaf utilizados para embasar a acusação contra Flávio. O colegiado entendeu que o compartilhamento das informações havia ocorrido de forma irregular, antes da autorização judicial necessária para a abertura do procedimento investigatório criminal contra o parlamentar.

As decisões invalidaram elementos importantes da investigação. Posteriormente, o caso foi arquivado em 2022, sem julgamento do mérito das acusações.

O que André Janones disse sobre Mariana?

A publicação de Janones gerou especulações porque o deputado não identificou inicialmente a pessoa a quem se referia. A pergunta “Quem é Mariana?” e a hashtag #QuemEMarianaFlavio levaram usuários a relacionar o nome à ex-assessora citada no caso das rachadinhas.

Na quinta-feira (22), entretanto, Janones contestou as informações que associavam a mulher mencionada à ex-chefe de gabinete. O parlamentar afirmou que a imprensa estava divulgando informações incorretas e declarou que ainda não havia apresentado a informação que pretende revelar.

Por esse motivo, até o momento, não há confirmação de que Mariana Mota seja a pessoa mencionada pelo deputado. A associação feita nas redes sociais decorre da repercussão do antigo caso das rachadinhas, e não de uma identificação confirmada por Janones.

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