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PF conclui que Bolsonaro não interferiu na corporação; denúncia foi feita por Moro ao deixar ministério

Apesar da decisão, a PF também não encontrou indícios de "falsa imputação de crime" por parte do ex-juiz

Por Da redação.

PF conclui que Bolsonaro não interferiu na corporação; denúncia foi feita por Moro ao deixar ministérioMarcos Corrêa/PR

Depois de quase dois anos de investigação, a Polícia Federal concluiu que Jair Bolsonaro não interferiu na corporação para obter informações sigilosas ou controlar inquéritos de seu interesse. Tudo começou após uma denúncia do ex juiz Sérgio Moro, quando deixou o cargo de ministro da Justiça, afirmou que Bolsonaro estaria tentando interferir no órgão.

No relatório final, obtido por O Antagonista nesta quarta-feira (30/3), o delegado Leopoldo Soares Lacerda também descarta falsa imputação de crime por parte de Sergio Moro, ou seja, também não afirma que o ex-juiz falou era falso. “Os vastos elementos reunidos nos autos demonstram a inexistência de ingerência política que viessem a refletir diretamente nos trabalhos de Polícia Judiciária da União”, escreve o delegado.

“Nenhuma prova consistente para a subsunção penal foi encontrada. Muito pelo contrário, todas testemunhas ouvidas foram assertivas em dizer que não receberam orientação ou qualquer pedido, mesmo que velado, para interferir ou influenciar investigações conduzidas na Polícia Federal”, diz a coorporação, que ouviu 18 pessoas.

A investigação foi solicitada por Augusto Aras, após coletiva em que Moro anunciou sua demissão em abril de 2020. Como efeito imediato, foi suspensa a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da PF. No mesmo pedido de inquérito, o PGR determinou que fosse averiguada a hipótese de denunciação caluniosa por parte do ex-ministro, o que também foi descartado pela PF.

De acordo com o inquérito, o próprio Moro, ao depor à PF, explicou que sua intenção fora a de “esclarecer as circunstancias de sua saída” e “preservar a autonomia da Polícia Federal” pois, no seu entendimento, as trocas de comando “sem uma causa apontada e portanto arbitrária” configurariam interferência política no órgão. Mas que “não
afirmou que o presidente teria cometido algum crime”, avaliação que caberia apenas às instituições competentes.

O relatório será enviado à PGR para manifestação, com grande chance de que seja promovido o arquivamento do caso.

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