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Carlismo acabou: cientista político diz que ACM Neto se difere do perfil das gestões anteriores

Cientista político Paulo Fábio avalia que carlismo acabou e que ACM Neto utiliza a imagem do avô de forma simbólica, mas construiu sua trajetória política em um contexto diferente

Por João Tramm.

O Carlismo acabou como força política organizada na Bahia, mas seus efeitos permaneceram por alguns anos após a morte de ACM, em 2007. A avaliação é do cientista político Paulo Fábio, que analisou o cenário político baiano durante entrevista ao Bahia Notícias no Ar, da Rádio Antena 1.

Segundo o especialista, o grupo não desapareceu imediatamente após a morte de Antônio Carlos Magalhães. A estrutura política ainda contava com forte capilaridade e apoio de elites políticas no interior do estado. Nas eleições municipais de 2008, mesmo na oposição, partidos ligados ao antigo grupo conseguiram eleger cerca de um terço dos prefeitos nas maiores cidades baianas.

ACM Neto é candidato ao governo do estado nas eleições de 2026 e esteve na TV Aratu apresentando suas propostas. 

Carlismo acabou: cientista político diz que ACM Neto se difere do perfil das gestões anteriores

Carlismo acabou a partir de 2010

Para Paulo Fábio, o processo de enfraquecimento do carlismo ocorreu de forma gradual. A estrutura construída por ACM ainda tinha presença política após 2007, principalmente no interior, mas perdeu espaço ao longo dos anos.

O cientista político aponta 2010 como um marco importante para o fim desse ciclo, diante das mudanças no cenário político baiano e da reorganização das forças partidárias no estado.

ACM Neto construiu caminho político diferente do carlismo

A trajetória de ACM Neto, segundo Paulo Fábio, não deve ser compreendida apenas como uma continuidade do carlismo. Para o cientista político, o surgimento de Neto na política está relacionado principalmente ao cenário nacional, marcado pela crise do PT e pela formação de uma oposição de perfil liberal.

Embora utilize a imagem do avô no campo afetivo e simbólico, ACM Neto teria construído uma trajetória diferente da de ACM.

“Ele não pode ligar a sua imagem a alguém como seu avô, que construiu sua vida através de um caminho oposto ao de Neto, na oposição, ACM fez o caminho do poder, inicialmente durante o período ditatorial. Então a imagem do ACM é importante para o Neto, mas não significa o carlismo."

Enquanto ACM construiu sua carreira pelo caminho do poder, inicialmente durante o período da ditadura militar, ACM Neto iniciou sua trajetória em um ambiente de oposição, tanto no cenário federal quanto no estadual.

Espólio ficou fragmentado

Paulo Fábio também destaca que o antigo espólio político do carlismo não desapareceu completamente, mas acabou distribuído entre diferentes grupos e partidos.

Segundo ele, os acordos políticos firmados ao longo dos anos fizeram com que antigos nomes e forças associadas ao carlismo passassem a circular entre os dois principais polos da política baiana. Na avaliação do cientista político, esse legado pode estar hoje até mais presente no grupo governista do que na oposição

“Então ACM Neto é resultado de uma outra coisa que tem muito mais uma explicação nacional, com a crise do PT, com o tipo de oposição liberal que vai surgindo”

Assista ao programa na íntegra:

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