“Extrema direita não busca consenso, ganha com o ódio”, avalia Jorge Solla
Deputado do PT, Jorge Solla, analisa que crescimento da extrema direita e uso das redes sociais mudaram a dinâmica da disputa da eleição
Por João Tramm.
O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) avaliou que a política passou por mudanças na forma de conquistar apoio eleitoral. Em entrevista ao programa Linha de Frente, da TV Aratu, o parlamentar afirmou que, tradicionalmente, vencer uma eleição dependia da capacidade de atrair o eleitorado de centro. Na avaliação dele, essa lógica perdeu espaço com o crescimento da extrema direita.
No último domingo (5), Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito por mais quatro anos. A partir disso, Jorge Solla e outros integrantes do PT da Bahia formarão a base de articulação do governo na próxima legislatura.
O PL contará com 121 deputados federais e 28 senadores. Já o PT terá 70 deputados e dez senadores. Diante deste cenário, o cientista político Eduardo Grizenti indicou caminhos para o petista alcançar a governabilidade. Dentre eles, a participação ativa dos baianos eleitos, representantes da esquerda em sua maioria.
Assista ao programa completo:
Jorge Solla aponta mudança na estratégia da extrema direita
Para o parlamentar, o crescimento da extrema direita, observado em diferentes países, modificou a maneira como determinados grupos atuam na política. Em vez de buscar pontos de convergência entre diferentes segmentos, esses movimentos apostariam na identificação de adversários comuns.
“Quem ganha eleição é quem traz o centro”, lembrou Solla ao comentar a antiga dinâmica das disputas políticas. Segundo ele, os candidatos buscavam ampliar suas bases de apoio por meio de propostas e programas capazes de reunir diferentes setores da sociedade.
O deputado considera que esse modelo foi enfraquecido por uma nova forma de mobilização política, que, segundo ele, não prioriza a construção de consensos, mas explora divergências e estimula a polarização.
“Essa turma da extrema direita, em vez de trabalhar com consensos, trabalha com dissensos, com a pregação do ódio, da violência, da divergência”, afirmou.
Solla explicou que, nessa estratégia, grupos com interesses distintos podem se aproximar a partir da escolha de um mesmo alvo. Assim, a figura do inimigo passa a funcionar como elemento de união, substituindo a necessidade de compartilhar projetos ou propostas.
Redes sociais favorecem a formação de bolhas, diz deputado
Outro fator apontado por Jorge Solla foi a transformação da comunicação política com o avanço das redes sociais. Para ele, as plataformas permitem que diferentes grupos recebam mensagens direcionadas às próprias convicções, o que dificulta o confronto de ideias e informações.
O deputado comparou esse cenário à comunicação em veículos tradicionais, nos quais uma mesma entrevista pode ser acompanhada por pessoas com posições políticas distintas, que também têm a possibilidade de verificar as declarações apresentadas.
Nas redes, segundo Solla, os discursos podem ser adaptados para cada público, mesmo quando apresentam versões diferentes sobre um mesmo assunto: “Você fala para cada bolha o que ela quer ouvir. E mais: você não tem compromisso com os fatos”, declarou.
O parlamentar também criticou a disseminação de versões que, segundo ele, podem alcançar grande repercussão antes de serem confrontadas com informações verificáveis.

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