Dia do Fotógrafo: Salvador pelas das lentes de quem conta as histórias da cidade

Comemorado nesta quinta-feira (8), o Dia Nacional do Fotógrafo dá luz a uma atividade dedicada à eternização de momentos cotidianos e históricos

Por Bruna Castelo Branco.

Comemorado nesta quinta-feira (8), o Dia Nacional do Fotógrafo dá luz a uma atividade dedicada à eternização de momentos cotidianos e históricos por meio da combinação de iluminação, ângulo, profundidade e enquadramento. Mais do que a simples reprodução da realidade, a fotografia se consolidou como uma expressão artística com complexidade estética e profissionais reconhecidos no Brasil e no exterior.

Mais do que a simples reprodução da realidade, a fotografia se consolidou como uma expressão artística. | Foto: Pedro Nunes

Em Salvador, ou Soterópolis, a cidade do sol, as belezas e os desafios em insistir em ser fotógrafo preenche a vida desses profissionais todos os dias. A fotojornalista Paula Fróes (@paula_froes), que já passou por redações de jornais da capital baiana e de Brasília e, recentemente, vem trabalhando com fotografia na água, resumiu bem como é viver a profissão na capital baiana: "Uma mistura de desafio e privilégio".

Comemorado nesta quinta-feira (8), o Dia Nacional do Fotógrafo dá luz a uma atividade dedicada à eternização de momentos cotidianos e históricos. | Foto: Paula Fróes

"Para mim, ser fotógrafa em Salvador é uma mistura de desafio e privilégio. Eu sou cria do fotojornalismo, sou formada em jornalismo. Sempre tive esse olhar mais atento às histórias, para o cotidiano, e para as pessoas também. Sou apaixonada por conhecer pessoas e, em Salvador, isso acontece o tempo todo: nas ruas, nas manifestações culturais, nas pequenas cenas do dia-a-dia...  Mas, ao mesmo, aqui existe um mercado muito competitivo, que exige reinvenção constante".

Para o fotógrafo Pedro Nunes (@pedronunesfotografia), as belezas naturais da cidade e o soteropolitano são as principais vantagens de seguir a profissão aqui. "O povo soteropolitano é quem dá vida e identidade para a cidade. E eu tenho, na minha fotografia, o prazer de fazer o registro desse cotidiano, desse povo, seja nas feiras livres, pelas ruas, nas praias... o baiano tem um jeito muito peculiar de viver, de falar, de ouvir música. E eu gosto muito disso", detalhou.

Para o fotógrafo Pedro Nunes, as belezas naturais da cidade e o soteropolitano são as principais vantagens de seguir a profissão aqui. | Foto: Pedro Nunes

Luz... e sombra

Apesar de já existir há mais de 180 anos, a profissão de fotógrafo ainda não é regulamentada no Brasil. A atividade não se confunde, no entanto, com a de repórter fotográfico, que integra a profissão de jornalista e é regulamentada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e por decretos específicos. De acordo com Paula Fróes, dá para sentir o impacto da falta de regulamentação todos os dias:

"A falta de regulamentação facilita o acesso à profissão, o que, para mim, é positivo. Mas, ao mesmo tempo, o pior disso aí é que também traz a desvalorização do nosso trabalho. Muita gente ainda acha que, para a fotografia, só precisa de uma boa câmera ou um celular moderno - embora eu ache que fotografia de celular não é fotografia, porque a inteligência artificial (IA) faz, você não consegue manipular muita coisa. Existem muitas coisas por trás da fotografia: estudo, experiência, investimento em equipamentos - que é bem complicado, porque é muito caro -, e responsabilidade com a história que está sendo contada, com as pessoas. Fotografar também é um ato ético".

A fotojornalista Paula Fróes falou sobre os desafios e as belezas da profissão em Salvador. | Foto: Paula Fróes

O repórter fotográfico baiano Adilton Venegeroles (@adiltonvenegeroles) que, atualmente, é fotógrafo das Obras Sociais Irmã Dulce, também já passou por redações e afirma: atualmente, a profissão é muito desvalorizada. "No geral, ser profissional de qualquer área em Salvador é muito difícil, paga-se pouco. Na fotografia não é diferente, a profissão é bem desvalorizada, o mercado é muito restrito. Se for formal (CLT), mais difícil ainda, quase que nos obrigando a ser freelas ou PJ [Pessoa Jurídica]".

Adilton também apontou que, sem regulamentação, mais pessoas estão entrando na profissão, deixando o mercado hiper saturado. | Foto: Adilton Venegeroles

Adilton também apontou que, sem regulamentação, mais pessoas - muitas delas, sem conhecimento na área - estão entrando na profissão, deixando o mercado hiper saturado. "Com tanta gente entrando na profissão agora, devido à falta de regulamentação, e tão poucas oportunidades, quem contrata tem o poder da barganha, nos tornando reféns na situação. Espero que a regulamentação chegue, que todos sejam tratados com o devido respeito e que, no final, fiquem apenas os que de fato querem seguir na profissão".

Segundo Pedro Nunes, a discussão sobre a regulamentação pode até ser um pouco mais recente, mas, os problemas são antigos. "Historicamente, eu vejo que o fotógrafo sempre tratou as suas relações de forma muito informal, com ausência de contratos, ausência de formalidades que as outras profissões exigem. Essa informalidade traz uma insegurança muito grande em relação aos direitos do fotógrafo. A regulamentação por si só não garante isso, mas, acredito que ela poderia, de alguma forma, inibir e trazer a fotografia para um lugar de mais destaque em relação aos direitos".

Segundo Pedro Nunes, a discussão sobre a regulamentação pode até ser um pouco mais recente, mas, os problemas são antigos. | Foto: Pedro Nunes

Dentro da câmara escura: a história da fotografia

O surgimento da fotografia remonta à transição do século 18 para o 19, com experiências conduzidas por nomes como Joseph Niepce, Henry Talbot e Louis Daguerre, que buscaram métodos de reprodução de imagens sem o uso da pintura. O desenvolvimento de câmaras escuras e papéis especiais com cloreto de prata foi fundamental para a consolidação da técnica.

Em 1839, Louis Daguerre apresentou o daguerreótipo, modelo de câmera que realizava a captura em placas de cobre e não permitia cópias. Já o físico britânico William Talbot desenvolveu um sistema com rolos de papel e sais de prata, possibilitando o registro das imagens no chamado “negativo”.

No Brasil, a fotografia chegou em 1940, com a apresentação do daguerreótipo. Segundo o curador, crítico e professor universitário Tadeu Chiarelli, a nova prática passou a ocupar o espaço de outras formas de registro, como imagens xilográficas e em placas de metal. O início da atividade no país se confunde com o período do Segundo Império, sob o comando de Dom Pedro II.

Apesar de já existir há mais de 180 anos, a profissão de fotógrafo ainda não é regulamentada no Brasil. | Foto: Paula Fróes

Ao longo do fim do século 20 e das primeiras décadas do século 21, a fotografia foi profundamente impactada pelas transformações tecnológicas. Empresas tradicionais do setor, como a Kodak — fundada em 1880, responsável pela introdução da fotografia colorida em 1935 e pela criação da câmera digital em 1975 — foram afetadas pela popularização dos dispositivos digitais e dos smartphones. Em 2012, a companhia entrou com pedido de concordata.

As mudanças também marcaram gerações. Muitos fotógrafos mais jovens não chegaram a utilizar câmeras analógicas, que exigiam o uso de filmes e processos de revelação para a visualização das imagens em papel especial.

O surgimento da fotografia remonta à transição do século 18 para o 19. | Foto: Adilton Venegeroles

Profissão não regulamentada

Uma proposta ainda em tramitação no Congresso Nacional busca regulamentar o ofício. O Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 64/2014, de autoria do deputado Fernando Torres (PSD-BA), já foi aprovado na Câmara dos Deputados, analisado por comissões do Senado Federal e aguarda votação em plenário.

O texto define fotógrafo como aquele que, “com o uso da luz, registra imagens estáticas ou dinâmicas em material fotossensível ou por meios digitais, com a utilização de equipamentos óticos apropriados, seguindo o processo manual, o eletromecânico e o da informática até o final acabamento”.

A proposta prevê que a atividade possa ser exercida por profissionais formados em cursos superiores ou técnicos de fotografia, além daqueles que, na data de entrada em vigor da lei, estejam atuando na área há pelo menos dois anos. O PLC também lista diferentes modalidades do ofício, como fotografia para fins técnicos, científicos, industriais, comerciais, de pesquisa, publicidade, divulgação e informação ao público.

No Brasil, a fotografia chegou em 1940, com a apresentação do daguerreótipo. | Foto: Adilton Venegeroles

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