Amassarias? Pizza de acarajé divide opiniões: 'Tem comida que a gente não mexe'

Pizza sabor acarajé gerou comentários diversos em publicação de estebelecimento nas redes sociais

Por Juana Castro.

Sai ano, entra ano, sempre surge uma "polêmica" gastronômica para animar a galera... ou não. Desta vez o alvo é a "pizza sabor acarajé".

Pizza sabor acarajé dividiu opiniões nas redes sociais

Em vídeo divulgado pela Casa Nero Pizza no Instagram, na quinta-feira (29), os comentários são diversos. "Tem comidas que a gente não mexe", disse um seguidor. Outro sugeriu que, com a produção, uma nova briga foi comprada: "Já não bastava a guerra contra Itália e Japão, agora querem brigar com as baianas do acarajé...".

Um terceiro fincou a bronca: "Falta de respeito. Isso é patrimônio cultural, não pode sair fazendo essas maluquices não".

Por outro lado, o perfil oficial da banda Timbalada entrou na brincadeira, fazendo referência à "Acarajé", nova música de trabalho do grupo em parceria com Tom Kray. "Ela quer comer acarajé… 🌶️ Já estamos indo comer a nossa, hein!!!", diz o comentário.

'Ovojé' na Páscoa e 'Acarajé da Barbie'

Nos últimos anos, além dos ovos de colher recheados, surgiram opções salgadas para o feriado da Páscoa, a exemplo do polêmico ovo de acarajé.

Junto a ele, apareceram também ovos de sushi, empada e coxinha, mas o acarajé carrega um diferencial: é reconhecido como Patrimônio Cultural da Bahia, um símbolo protegido, especialmente pelas religiões de matriz africana, que não pode ser modificado. 

Essa não é a primeira vez que o acarajé é ressignificado em formatos não tradicionais. Em 2023, o "Acarajé Rosa", criado durante a promoção do live-action do filme da "Barbie", gerou indignação na Associação Nacional das Baianas de Acarajé (Abam), que repudiou a mudança do prato. 

Acarajé rosa gerou polêmica em 2023

Para entender a dimensão do debate, o Aratu On conversou com Elaine Assis, 43 anos, filha de Dinha, dona de um dos tabuleiros mais famosos de Salvador, no Rio Vermelho. Elaine que é associada a Abam, defende que, embora todos tenham o direito de empreender, a tradição não deve ser alterada por modismos.  

“O acarajé é uma iguaria da nossa cultura afro-baiana, oriunda da culinária de matriz africana. Não pode ser simplesmente modificado por tendências mercadológicas”, afirma. 

Por coincidência — ou não —, a criadora do ovo de acarajé e do polêmico acarajé rosa seria a mesma pessoa, embora a "tendência" já tenha se espalhado por diversos pontos da cidade. Conhecida como Drica, ela vende acarajé e abará há 15 anos.

Leia aqui a matéria completa sobre o 'ovojé' e outros modismos relacionados ao acarajé.

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