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29/11/2023 16h05 | Atualizado em 29/11/2023 16h08

Dois anos após crime, suspeitos de matar músico ‘Renatinho’ seguem foragidos

Em agosto desse ano, segundo Kelly, um dos suspeitos de matar Renatinho, identificado pelo vulgo de "Peão", foi preso e confessou o envolvimento no crime

Dois anos após crime, suspeitos de matar músico 'Renatinho' seguem foragidos Foto: Redes sociais
Da Redação

Dois anos após o homicídio do músico Renato Santos Evangelista Sobrinho, mais conhecido como “Renatinho”, apenas um dos cinco suspeitos teve o seu mandado de prisão cumprido. Aratu On relembra o crime, cometido por integrantes de uma facção criminosa, em novembro de 2021, por meio de um entrevista com Kelly Santos, irmã da vítima.

Segundo Kelly, a Polícia Civil de Vilas de Abrantes, representada pela 26ª Delegacia Territorial, vem sendo “incompetente” no que se refere à captura dos suspeitos. “O sentimento que fica é o de revolta, sempre ele. Queremos justiça, mas assim como outros familiares, já parei de frequentar a delegacia atrás de novidades ou respostas quanto a morte de meu irmão”, desabafou.

Em agosto desse ano, segundo Kelly, um dos suspeitos, identificado pelo vulgo de “Peão”, foi preso e confessou o envolvimento no crime. Segundo o homem, que aparece em um vídeo no momento do crime, com um dos revólveres que matou o músico nas mãos, o local onde o corpo foi enterrado não seria revelado.

Apesar da confissão, confirmada à reportagem por Kelly, a jovem diz ter recebido uma “ligação misteriosa”. Nela, uma pessoa, que não se identificou, afirma ter visto “Peão” livre, andando pelas ruas. Aratu On entrou em contato com a Polícia Civil, para confirmar a informação, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve retorno sobre a condição prisional do envolvido.

CRONOLOGIA DO CASO

21 DE NOVEMBRO de 2021

“Renatinho” sai de casa para um show na localidade do “Mutirão” de Abrantes, em Camaçari, também na Região Metropolitana de Salvador. Ele não sabia, mas traficantes da facção que controla a região não gostaram de ter uma pessoa de Portão – onde outro grupo detém o poder – fazendo uma apresentação.

23 DE NOVEMBRO de 2021

Amigos e familiares organizam a primeira manifestação, cobrando Justiça. Naquele momento, ninguém tinha certeza de que o músico já estava sem vida. “Eles pegaram meu filho. Ele está em algum lugar. Era um menino querido, só queria saber de tocar. Trabalhava também com o padrinho, de marceneiro. Eu fui atrás dele. Liguei para meu filho. Nesse dia à noite [do show] ele estava tão feliz, tão sorridente. Não tinha maldade com ninguém. Nunca fez maldade para ninguém”, disse, à época, Paula Santos, mãe do rapaz.

29 DE NOVEMBRO de 2021

morte do músico é confirmada após um vídeo ser divulgado pelos bandidos. As imagens foram obtidas pela reportagem do Grupo Aratu, mas não serão postadas por respeito aos familiares e ao público. O vídeo mostra “Renatinho” junto com três homens – pelo menos dois armados com pistolas -. “Vai me matar, é?”, questiona, antes de receber o primeiro tiro. Ele corre, mas é alcançado pelo trio.

No mesmo dia, investigadores da 26ª Delegacia Territorial (DT/Abrantes) já tinham em mãos os nomes dos suspeitos: Ubiraci dos Santos, o “Bira” e o comparsa dele, “Peão”. O bandido que filma o assassinato, a mando do líder do grupo criminoso que atua na região, ainda não foi identificado pela polícia.  O chefe da facção que comanda a região conhecida como “Mutirão” é  conhecido pelo apelido de “Bical”.

1º DE DEZEMBRO de 2021

Um homem apontado como integrante da quadrilha de “Bical” é preso. “Biel” foi achado durante uma ação da 59ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Abrantes). Na porta do DHPP, ouvido pelo repórter da TV Aratu, Fábio Gomes, o suspeito negou envolvimento no caso.

Ele é citado, ainda, pelo envolvimento no assassinato do tenente da Polícia Militar, Mateus Grec. Ele foi morto no bairro de Cosme de Farias, em 12 de setembro de 2021. As equipes estavam faziam uma ronda na região, quando houve um confronto com homens armados.

16 DE DEZEMBRO de 2021

O aparecimento de um corpo, em Camaçari, parecia ter colocado fim ao drama. Familiares receberam uma fotografia e levantaram a possibilidade de se tratar de Renatinho, por conta de um short, de cor preta, que a vítima usava quando foi assassinada. Horas depois, após ver tatuagens e outros detalhes, a família descartou qualquer possibilidade de ser o corpo do percussionista.

MORTES DE SUSPEITOS 

Em abril de 2020, a Polícia Civil deu uma resposta, ainda que incompleta sobre o caso. Três suspeitos de envolvimento com o tráfico morreram durante uma megaoperação. Na ação, batizada de “Disciplina”, foram cumpridos 11 mandados e ocorreu uma prisão em flagrante.

“Eles [investigados na operação] faziam como se fossem o grupo da disciplina. Nele, ordenavam as execuções de pessoas e temos corpos não encontrados”, detalhou a então titular da 26ª Delegacia Territorial, Danielle Monteiro.

“Eles eram investigados não só na morte de Renatinho, mas também em relação a um guarda municipal de Salvador. Investigações indicavam esses alvos como suspeitos. Isso refletiu em uma ação conjunta da Polícia Civil como um todo. Há indicativo claro de que eles têm envolvimento, inclusive os resistentes”, ressaltou o delegado Yves Correia.

Apesar de todo esse histórico, no final de 2023, a família de Renatinho segue em busca de respostas. Em resposta enviada à produção da TV Aratu, a assessoria da Polícia Civil informou que “as investigações seguem na 26ª Delegacia Territorial de Vila de Abrantes. Um envolvido na ação teve o mandado de prisão cumprido e outros quatro, que também possuem mandado, estão foragidos”.

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