Jerônimo anuncia licitação para restaurar Faculdade de Medicina da Ufba
Faculdade de Medicina da Ufba terá projeto de restauração contratado pelo Estado no âmbito do Novo PAC
Por Matheus Caldas.
O Governo da Bahia autorizou, nesta quinta-feira (5), a abertura do processo licitatório para contratação do projeto de restauração da Faculdade de Medicina da Ufba, localizada no Pelourinho, em Salvador. A iniciativa integra um pacote de investimentos voltados ao patrimônio histórico da capital baiana, anunciado no mês em que a cidade completa 477 anos.
O anúncio foi feito pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) durante cerimônia realizada no Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb), na Baixa de Quintas, nesta quinta-feira (5). O evento também marcou o reconhecimento da Unesco ao acervo da instituição, cuja documentação remonta ao período colonial e à escravidão.
Durante o discurso, Jerônimo afirmou que a restauração do prédio histórico faz parte de um conjunto de ações em parceria com o governo federal. "Além dessa restauração da fonte, nós estamos também, junto com o Ministério da Cultura apresentando um bloco de investimentos aqui na Bahia, a exemplo da ordem de serviço para a licitação para uma elaboração do projeto de restauração, de recomposição da nossa escola de medicina no Pelourinho", disse.

Segundo o governador, as iniciativas fazem parte de um cronograma de entregas previsto para o mês de aniversário da capital. "No mês de aniversário de Salvador, a gente vai começar a fazer as entregas. Aqui na APEB, a gente vai restaurar a fonte para que ela volte a funcionar como no passado, sendo devolvida à população. As pessoas vão poder vir aqui no final de semana com suas famílias, assim como os jovens conhecer a nossa história", afirmou.
Na ocasião, o governo estadual também anunciou a obra de restauro da fonte histórica do Arquivo Público. O Apeb funciona no Solar da Quinta, imóvel tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1949.

Faculdade de Medicina da Ufba com com riscos estruturais
A Universidade Federal da Bahia (Ufba) pediu socorro ao governo federal para restaurar e conter a deterioração do prédio da Faculdade de Medicina da Ufba, situado no Terreiro de Jesus, no Pelourinho (veja imagens ao final da matéria).
O reitor da instituição, Paulo Miguez, e o diretor da Faculdade de Medicina da Ufba, Antônio Alberto Lopes, se reuniram com a ministra da Cultura, Margareth Menezes. O principal tema debatido foi a liberação de recursos para recuperar a infraestrutura do prédio, que recebeu o que é considerada a primeira universidade do Brasil, em 1808. Participaram do encontro, ainda, deputados federais e o senador Jaques Wagner (PT).
O edifício original, construído em 1553, foi destruído por um incêndio e reconstruído em 1909. No início dos anos 2000, voltou a receber aulas após restauração geral. Estimativa, agora, é que intervenções para recuperar prédio custem cerca de R$ 100 milhões, segundo Antônio Alberto Lopes, em entrevista ao jornal Correio.
Agora, as condições do prédio são objeto de questionamentos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Na semana passada, o superintendente do órgão na Bahia, Hermano Queiroz, solicitou à Ufba que prestasse esclarecimentos quanto às condições do edifício.
Em carta enviada ao reitor e à diretoria da Faculdade de Medicina, a superintendência do Iphan no estado aponta haver problemas no estado de conservação do prédio, tanto nas áreas externas, quanto internas. A fiscalização apontou risco alto para desabamento, incêndio e danos adicionais ao patrimônio.
O documento foi embasado por um laudo, obtido pelo Aratu On, e emitido no último sábado (21) por técnicos do próprio Iphan. Denominado como Força-tarefa Bahia, o grupo de análise identificou danos decorrentes de falta de manutenção preventiva periódica. O estado de conservação da estrutura é considerado ruim pelos técnicos.
A Força-Tarefa Bahia foi montada em fevereiro deste ano para atuar no estado após desabamento de parte do teto da Igreja de São Francisco de Assis, no Pelourinho, em fevereiro de 2025. Na ocasião, uma turista morreu e cinco pessoas ficaram feridas.
Atualmente, por problemas estruturais, o prédio recebe, apenas, serviços administrativo, de museu e poucas aulas do curso de medicina.

Problemas encontrados por técnicos do Iphan
Edificação principal: prédio presenta manchas de umidade, eflorescências, biofilme, descamação de tinta e fissuras em alvenarias e forros. Há também perda de recobrimento de armaduras em lajes e elementos estruturais.
Áreas interditadas ou inutilizadas:
- Uma escada lateral de madeira está interditada por instabilidade grave;
- Salão de solenidades encontra-se fechado devido à instabilidade estrutural do piso.
- Auditório está inutilizado por ser considerado um ambiente "inóspito", com mofo, umidade e presença de dejetos de animais.
Anexos:
- Primeiro anexo está interditado devido à instabilidade estrutural interna.
- Segundo anexo está em estado de arruinamento, sem telhado, cobertura, forros ou assoalhos, e tomado por vegetação.
Fachadas:
- Observa-se o crescimento de vegetação e sinais de degradação em estátuas e ornatos causados pelas intempéries.
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