Baixa dos Sapateiros e Barroquinha recebem programa de recuperação; custo será de R$ 7 milhões
A iniciativa prevê a recuperação de cerca de 250 fachadas de imóveis da Baixa dos Sapateiros e Barroquinha
Por Bruna Castelo Branco.
A Prefeitura de Salvador anunciou, nesta segunda-feira (31), um programa para revitalizar as regiões da Baixa dos Sapateiros e da Barroquinha, no Centro da capital baiana. A iniciativa prevê a recuperação de cerca de 250 fachadas de imóveis, além de incentivos fiscais, consultorias para comerciantes e a realização de eventos culturais e de negócios.
Batizado de Renova Baixa dos Sapateiros, o programa contempla o trecho entre a Avenida José Joaquim Seabra e o final de linha da Barroquinha. A proposta é recuperar a estrutura e o aspecto visual da região e, ao mesmo tempo, estimular a retomada das atividades econômicas.
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Segundo o prefeito Bruno Reis (União Brasil), os comerciantes também receberão consultorias para identificar oportunidades e atividades que possam fortalecer os negócios locais.
“Nós já temos o Renova Centro, que é um programa que atende a toda a poligonal do Centro Histórico, mas, para esta região específica da cidade, nós seremos ainda mais arrojados, com mais investimentos e incentivos fiscais. Vamos oferecer consultoria aos comerciantes e empreendedores locais para tentar identificar qual é a melhor atividade para o seu negócio”, afirmou.
Programa recebe R$ 7 milhões para recuperação de fachadas
Durante a agenda desta segunda-feira, o prefeito assinou a ordem de serviço para o início do projeto Fachadas da Memória, que será responsável pela recuperação, valorização e preservação das edificações históricas localizadas entre a J.J. Seabra e a Barroquinha.
Elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e executado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), o projeto terá investimento de aproximadamente R$ 7 milhões.

A escolha da área levou em consideração a relevância histórica da Baixa dos Sapateiros e da Barroquinha e a tradição do comércio popular na região. O levantamento também contou com avaliações da FMLF e da Defesa Civil de Salvador (Codesal).
“A Baixa dos Sapateiros é uma região muito simbólica para a cidade, cantada em verso e prosa. Esse é, realmente, um momento muito oportuno para resgatarmos este espaço que, entre as décadas de 1970 e 1990, foi um grande polo, um grande mercado de Salvador”, afirmou o secretário da Sedur, Sosthenes Macedo.
Comerciantes receberão incentivos fiscais
Além da recuperação dos imóveis, a Prefeitura pretende oferecer incentivos fiscais aos estabelecimentos beneficiados pelo programa.
Entre as medidas previstas estão:
- Isenção de IPTU por cinco anos;
- Redução do ISS;
- Isenção total da TFF (Taxa de Fiscalização do Funcionamento).

As medidas seguem o modelo adotado pelo Renova Centro e têm como objetivo estimular a instalação e a permanência de negócios na região.
A Prefeitura também pretende oferecer serviços de qualificação e consultoria aos empresários locais, além de buscar novos empreendedores e atividades comerciais para diversificar os negócios na Baixa dos Sapateiros e na Barroquinha.
Eventos devem movimentar a região
Outra frente do programa será a realização de eventos culturais, comerciais e de negócios, como convenções e festivais, com o objetivo de aumentar a circulação de pessoas.
A gestão municipal pretende utilizar equipamentos públicos da região, como o Mercado de São Miguel, para receber atividades que contribuam para a reocupação dos espaços.
A estratégia segue uma proposta semelhante à adotada pela Prefeitura em outras áreas do Centro Histórico, como a Rua Chile e o Pelourinho.

Projeto busca preservar história da Baixa dos Sapateiros
Antes da definição das intervenções, a Fundação Mário Leal Ferreira realizou um levantamento e a catalogação dos imóveis que serão contemplados pelo projeto.
A pesquisa também consultou informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e documentos disponíveis no acervo da Biblioteca da Fundação Mário Leal Ferreira.
Segundo a presidente da FMLF, Tânia Scofield, a recuperação pretende preservar características arquitetônicas que foram prejudicadas pelo desgaste do tempo e pela instalação de estruturas publicitárias nas fachadas.
“Além da harmonia visual, resgata-se a beleza e a dinâmica da rua. O programa também preserva o patrimônio com as suas características que foram perdidas pelo desgaste do tempo e pela colocação dos engenhos publicitários que cobrem essas fachadas”, explicou.
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