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"A prisão apagou em mim a atração sexual por homens?, declara Caetano Veloso

"A prisão apagou em mim a atração sexual por homens?, declara Caetano Veloso

Por Da Redação

"A prisão apagou em mim a atração sexual por homens?, declara Caetano Velosodivulgação

O cantor Caetano Veloso relevou durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), neste domingo (6/12), informações sobre a construção de sua sexualidade. No encontro com o escritor espanhol Paul B. Preciado, que está em Paris, mediado pelo mexicano Ángel Gurria-Quintava, o avanço da extrema direita no mundo foi um dos temas discutidos e o artista baiano revelou detalhes do período conturbado que viveu durante a Ditadura Militar.


Caetano afirmou que o livro do escritor americano  F. Scott Fitzgerald lhe veio à mente quando ficou numa solitária, preso pela ditadura militar, e o inspirou para escrever o Narciso em Férias. Ao ser questionado sobre bissexualidade, Caetano disse que os 54 dias de cárcere apagaram nele a atração por outros homens. 


"Narciso é um deus básico, e, em geral, usam a palavra de Narciso de maneira pejorativa. Fiquei numa solitária. Depois de alguns dias sem ninguém falar comigo, deitado no chão, houve uma espécie de apagamento do meu reconhecimento de mim mesmo. Senti que Narciso estava, de fato, em férias", iniciou.


“O espaço muito masculino da prisão militar causou outro apagão no Narciso aqui, que foi da atração sexual e sentimental por homens. Fiquei com uma rejeição sexual em relação à figura dos homens, que eu não tinha”,  sustenta o artista.


O marido de Paula Lavigne  ainda citou paixões que teve por homens e mulheres na juventude. Mas destacou que recusava ser rotulado como bissexual. “Muitas pessoas que eu conhecia usavam essa expressão ‘bissexual’ para efeitos muito inautênticos. Então eu dizia: ‘também não quero esse [termo]’.


Durante o bate-papo, o filósofo espanhol associou temas como masculinidade, violência e avanço e culturas fascistas. “A masculinidade soberana se define pelo uso legítimo da violência. A história da modernidade colonial é também uma história do patriarcado, que fabricou corpos soberanos ao lhes conceder o monopólio legítimo da violência. E esse corpo soberano é um corpo masculino e branco, que tem o poder de ferir e matar outros corpos subalternos”, analisou Angel Gurría-Quintana.


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