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21/05/2024 14h45 | Atualizado em 21/05/2024 16h19

‘The Act’ da Bahia: mãe e filha utilizavam ‘falso câncer’ para aplicar golpes

Influencer, familiares e amigos foram vítimas dos golpes

'The Act' da Bahia: mãe e filha utilizavam 'falso câncer' para aplicar golpes Foto: Reprodução/Redes sociais
Da Redação

A história de Gypsy Rose, supostamente uma jovem enferma e com mentalidade infantil aos 23 anos, ficou conhecida mundialmente após o assassinato da mãe dela, Dee Dee, nos Estados Unidos, em 2015. O crime foi planejado pela filha que, na verdade, nunca esteve doente, e o caso virou até uma série famosa, “The Act”, produzida pela plataforma de streaming “Hulu”.

Nos últimos dias, em Salvador, um caso semelhante ganhou notoriedade. Nesta história, mãe e filha – Ana Paula Menezes Sena, de 46 anos, e Drielle Menezes Sena, de 28 – fingiam que a segunda estava em tratamento contra um câncer, para aplicar golpes nas pessoas que se solidarizavam com elas.

Drielle e Ana Paula foram denunciadas por seguidores por aplicar uma série de golpes que envolvem desde pedidos de transferências via Pix – com apelos emocionais – até a promessa de vendas de produtos importados. Uma das vítimas foi o publicitário e influenciador digital Pedro Valente, mais conhecido como @sigapedro, que criou um “destaque” no Instagram para falar sobre o caso.

“Às pessoas que caíram no golpe, minhas sinceras desculpas. […] Além de ter sido enganado por tanto tempo, o que mais me aflige é a impunidade, a letargia da polícia e do Ministério Público em agir, da imprensa da Bahia não ter tido o menor interesse em investigar (procurei alguns veículos do meu conhecimento, sem sucesso). Por dois anos, mãe e filha faturaram alto às custas da bondade de muitas pessoas. Infelizmente, vivemos em uma terra onde o crime compensa”, escreveu.

Depois, em vídeo, ele diz que “foi muito mais gente” enganada do que imaginou. “Vou pedir licença a vocês,[…] quero manter o meu Instagram como uma descompressão, com humor, mas esse assunto é muito sério. […] Elas saíram das redes sociais, mas continuam tendo contato com os grandes colaboradores, então a gente precisa jogar luz sobre essa história para que saiam do golpe. Eu demorei de sair do golpe. Eu me senti muito responsável por ter colocado tanta gente nesse golpe. Isso tava me fazendo mal há muito tempo, porque eu tinha que me certificar ao máximo e me blindar para que não fosse leviano”, completou.

Mãe e filha começaram a aplicar os golpes no início da pandemia de Covid-19, alegando que viravam a madrugada fazendo sabonetes para vender e ajudar a custear o tratamento.

Após diversas denúncias, elas desativaram as redes, como disse Pedro. Familiares e amigos de Drielle e Ana Paula também foram vítimas das armações, como uma jovem identificada como Bia Cuppertino. Veja trechos do relato dela publicado nos stories do Instagram:

“Sou uma amiga ausente, mas muito preocupada com as pessoas. Se uma pessoa que eu considerava amiga, que conhece a minha família de tão íntima que era, diz que tá muito mal de câncer, eu vou ajudar, eu vou procurar quem possa ajudar também e foi assim durante uns – pasmen – 10 anos. Aí tô eu de boa e recebo uma enxurrada de conteúdo provando e expondo que é golpe. Golpe esse que não apenas caí, como outras pessoas para quem contei a situação também caíram e doaram dinheiro, compraram rifa, deram dinheiro para ajudar a comprar medicação”.

“Não sabia e não desconfiava, inclusive eu sofria emocionalmente, porque quando estive muito mal, ela foi me ver no hospital assim que saí da UTI. Eu realmente era ausente, não a via, então o que ela falava, eu acreditava”.

biacuppertino

Reprodução/Instagram

DESCOBERTA

O golpe foi descoberto em janeiro de 2023, quando uma doadora dos Estados Unidos, que contribuía em dólares, solicitou um relatório médico e não recebeu. A recusa em fornecer o documento, seguida de um comportamento “extremamente agressivo” por parte de Ana Paula, aumentou as suspeitas. A desativação do Instagram e do número de WhatsApp das acusadas reforçou a desconfiança das vítimas.

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